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Piloto Automático 

Este post vai começar de um jeito diferente, com algumas perguntas (bem simples, nem precisa dissertar sobre o tema, rs).

1) Sobre o almoço de ontem, é correto afirmar que:

a) Você comeu qualquer coisa (bem rapidinho) e voltou logo ao trabalho.

b) Você saboreou a refeição com calma, prestando atenção aos sabores, aromes e textura da comida.

c) Almoço, que almoço?

2) Todos os dias, ao ir para o trabalho (ou aula, ou seja lá o que for), você:

a) Faz tudo sempre igual, ao estilo Chico Buarque.

b) Presta atenção ao caminho, notando as sutilezas da paisagem.

c) Quando vê, já chegou ao destino, como num piscar de olhos.

3) Quando sai com seus amigos, você:

a) Dá a eles total atenção e curte o momento, ao vivo e em cores.

b) Verifica o e-mail do trabalho de tempos em tempos. Afinal, nunca se sabe quando o chefe vai precisar de você.

c) Olha o e-mail do trabalho, faz check in no Facebook, posta foto da comida Instagram and vídeo no Snapchat, fala com o/a crush no whats e, nos intervalos, até conversa um pouco com os amigos.

E então? Já tinha parado para refletir sobre essas questões? Como se sentiu com relação às suas respostas? Está satisfeito ou um tanto, digamos, #chateado e sem vontade de cantar uma linda canção? Well, bem-vindo ao clube. Ou, como dizem por aí, #tamojunto.

Já tem um tempo que venho refletindo sobre essa pressa em viver e sobre essa anestesia que parece nos devorar. Como se tivéssemos ligado nosso piloto automático, sem de fato estar vivendo nossas próprias vidas. Quantas vezes estamos “conversando” com alguém sem ouvir o que a pessoa está nos dizendo? Quantas vezes o nosso “interlocutor” nos faz uma pergunta e ficamos com aquela cara de tacho, sem saber o que responder, simplesmente porque não estávamos escutando? Quantas vezes chegamos ao final do dia com aquela sensação de “nossa, o tempo passou voando”, sem lembrar direito o que fizemos durante aquelas horas todas. Quantas vezes pegamos um petisco qualquer para comer enquanto assistimos a um filme e, de repente, percebemos que o pacote está vazio…cadê a comida que estava aqui, que eu comi e nem vi?

Vivemos em um mundo que reforça, e até recompensa, essa pressa toda e esse jeito multitasking de ser. Quem pode ser dar ao luxo de fazer apenas uma coisa de cada vez? Afinal, todo mundo faz isso, né? Fazer, faz. Mas…faz bem? E fazer isso…faz bem? Um número cada vez maior de pessoas está questionando esse estilo de vida e buscando mais equilíbrio, menos ansiedade, mais paz. Eu estou, talvez você esteja, ou alguém muito perto de você pode estar. Exercício físico, terapia, alimentação saudável, apoio espiritual, remédios, hobbies…há várias respostas para a mesma pergunta e, no meio de tudo isso, um tema que ganha cada vez mais força nesta discussão: mindfulness.

A tradução literal do termo é “atenção plena” ou “consciência plena” e trata-se do estado mental alcançado por meio do foco e atenção ao momento presente, de forma consciente, e pelo acolhimento e aceitação dos sentimentos, pensamentos e sensações. Essa prática tem origem em técnicas ancestrais de meditação e passou a ser usada para fins psicoterapêuticos pelo menos desde o século VIII. Nos últimos anos, o tema ganhou destaque por meio do trabalho de Jon Kabat-Zinn, que fundou a Stress Reduction Clinic at the University of Massachusetts Medical School no final dos anos 70.

Parece simples, né? Estar presente no momento atual, e consciente de tudo o que está acontecendo com você naquele momento. Sabe de nada, inocente. Primeiro, eu vivo “viajando” no tempo, seja dando pulinhos no passado para me recriminar (Por que cargas d’água eu fiz isso mesmo, senhoooor?) ou avançando até o futuro para me preocupar (O que será que vai acontecer na reunião da semana que vem???). Racionalmente, sei que não faz sentido nenhum – afinal, o que passou não pode ser alterado, e o futuro…bem, pode ser que nem exista. Mesmo assim, para mim e para outros tantos amiguinhos de planeta, permanecer 100% no presente é um grande desafio. E dá-lhe ansiedade.
Aí vem a segunda parte da equação, que é estar consciente de tudo o que está acontecendo no momento presente, em termos de pensamentos e sentimentos. Você está bem linda/lindo vivendo o aqui e agora quando recebe um e-mail que te deixa “p da vida”. Então, de forma consciente, é preciso entender os motivos por trás da sua chateação. Quais são os sentimentos envolvidos (medo, raiva, frustração) e por que razões você está se sentindo assim? Há mesmo razão para se sentir assim? Quem mandou o e-mail é mesmo um bastardo inglório tentando arruinar seu dia ou apenas fazendo o trabalho do melhor jeito possível para ele/ela naquele momento? É mesmo um ataque pessoal ou apenas uma abordagem um pouco mais ríspida causada por uma situação especifica?

Viu só como não é fácil? Para mim, ariana esquentadinha, essa presença consciente exige um enorme esforço. Mas, quando consigo (sim, tenho tentado!!!), isso reduz a ansiedade. Os problemas não desaparecem, mas consigo lidar com eles com menos sofrimento. Obvio, tem horas em que o pavio curto fala mais alto e a tal da mindfulness sai de fininho (antes que sobre para ela também, rs).
Uma das “bases” da mindfulness é a meditação, uma vez que ajuda a mente a criar os “músculos” necessários para esta mudança de padrão: foco, clareza, concentração. O famoso “respira, inspira, não pira” nunca fez tanto sentido. Tenho vários amigos praticando meditação e todos têm historias muito positivas para contar. Eu sempre relutei porque essa historia de ficar “só” parada, respirando e limpando a mente de distrações parecia algo totalmente impossível para alguém tão agitado quanto eu. Recentemente, uma dessas amigas (que trouxe mindfulness para sua vida depois de um curso nos EUA) me indicou um aplicativo (sim, minha gente, para o celular!) que tem meditações guiadas bem boas para iniciantes. A primeira que fiz foi um fiasco espetacular – eram só 8 minutos, mas parei no meio porque lembrei de algo que precisava fazer. Podem rir, está liberado. Teimosinha que sou (persistente, talvez?), tentei de novo (coisa mais curta, 3 ou 5 minutos), e está melhorando. Não, ainda não transcendi nem fui transportada para outros níveis de consciência, mas prestar atenção na respiração, de fato, desacelera. Ah, descobri que tudo bem se a gente pensar durante meditação (achava que não podia de jeito nenhum, affff), desde que a gente traga o foco de volta à respiração quando perceber que isso acontece. Aos poucos, acho que vou pegar o jeito. Não dava para chegar ao nível “Buda“ depois de alguns minutos de prática, certo? Tudo bem não ser perfeito…

Eaqui tenho gancho para dois outros elementos importantes relacionados com mindfulness: compaixão (compassion) e gentileza (kindness) – para com os outros e para consigo.

A parte do para com os outros até é fácil de entender (não necessariamente de colocar em prática, rs), mas quando se trata de nós mesmos, geralmente o chicote estala sem dó nem piedade. Para mim, sempre foi difícil. A minha barra é sempre mais alta comigo do que com os outros, sou sempre a crítica mais feroz de mim mesma. Então, toca a exercitar para mudar, né? Primeiro, seja gentil com você. Reconheça seus sentimentos e pensamentos (todos mesmo) como eles são, sem julgar ou criticar. Entenda que esses sentimentos e pensamentos não definem você, mas apenas o momento pelo qual você está passando. 

Você não é uma idiota distraída sem salvação, você apenas esqueceu de pegar a conta que precisa pagar. Você não é uma besta incompetente, apenas cometeu um erro em um relatório. Tenha compaixão por você, ser humano passível de erros, e trabalhe para melhorar o que pode ser melhorado (isso é o que diferencia compaixão de pena ou empatia: o desejo de fazer algo para ajudar/mudar a situação).

Se isso soar muito zen/esotérico para você, tudo bem. Eu também achava que isso era loucura e que não tinha aplicação prática, mas me dei a chance de experimentar. Também estou fazendo exercício, quero melhorar a alimentação (esse será o grau máster de evolução, porque continuo comendo besteiras como se não houvesse amanhã, afffff), sigo firme na terapia, experimentei florais e shiatsu. Depois dos 40, algumas fichas caíram, e resolvi tomar vergonha na cara (antes tarde do que nunca). Não quero mais ser escrava da minha ansiedade, quero mais qualidade de vida, quero explodir de alegria e não de raiva. Fácil não é, mas tenho certeza de que é possível. No final das contas, talvez loucura seja continuar fazendo as mesmas coisas e esperar resultados diferentes, né?

E sim. A trilha do post é uma seleção de mantras. Mais um dos itens do projeto “por uma Zeila melhor”. 😉🙏🏻

Image: Elephant Meditation

Pollyanna tem dor de cabeça 

Na adolescência, li e gostei da história de Polllyanna, a menina que jogava o “jogo do contente”, buscando ver algo de positivo mesmo nas situações mais complicadas da vida.
Sempre tive horror a mimimi, então procuro viver a vida olhando o copo meio cheio, com otimismo e tal. Ocorre que nem eu, nem a Pollyanna, nem mesmo Jesus ou Buda estão/foram felizes o tempo todo. 
Todos temos aqueles dias difíceis, nos quais o que mais queríamos na vida era ficar embaixo das cobertas, escondidos de tudo e de todos. Temos medo e dúvidas. Temos dor de cabeça e cólica. Temos raiva e vontade de dar um belo chute na canela daquele ser chato que insiste em atazanar nossa vida. Temos mau humor mastodôntico, daqueles em que gostaríamos de mandar a pessoa para aquele lugar em vez de dar bom-dia.
Temos dias nos quais o cabelo não se ajeita e as olheiras fazem inveja a qualquer panda. Fazemos besteira e depois ficamos remoendo as pataquadas (por que, senhor???!!). Temos vontade de dizer “não, nem a pau Juvenal, nem &@$%#}€, mas acabamos dizendo sim”. Temos vontade de dizer “nossa amiga, estou mal, me dá um abraço?” e acabamos dizendo “comigo está tudo ótimo!”.
Temos vontade de jogar tudo para o alto, mas vamos adiando porque sabemos que vamos ter de catar tudo depois. Temos necessidade de carinho, mas não demonstramos porque, né, as pessoas podem descobrir que somos frágeis. 
Essa cultura da felicidade, independência e instantaneidade nos faz ter vergonha de mostrar que não somos super heróis. Mulher Maravilha também tem TPM e tem de ralar na academia para manter o corpão, amiguinhos. No final, somos todos apenas humanos, demasiadamente humanos. 
Nosso Facebook/Instagram/Snapchat/sabedeusmaisoque refletem apenas uma parte de nossas vidas, a mais iluminada, e tudo bem. Não estou dizendo que devemos começar a postar fotos com o rímel borrado e a hashtag #partiuchoraratédormir ou #malditoinfernoastral. O problema é que isso pode nos causar uma falsa sensação de que a vida dos outros é perfeita, e que só a nossa grama tem ervas daninhas aqui e ali. 
Da minha parte, triplamente ariana que sou, abrir a guarda e assumir que 1) não sou perfeita 2) gosto de carinho apesar de morrer negando 3) ainda tenho mais perguntas do que respostas não é fácil, mas é libertador. Sim, sou otimista, acho que tudo vai dar certo e que a vida é linda, mas também tenho meus momentos “droga de vida, que saco, me deixa quieta se não eu mordo”. Dias de chuva e sol, de silêncio e de cantar alto, dias de luta e dias de glória. Na dúvida, melhor não perguntar: vai logo abraçando.
Que a gente se permita viver por inteiro, com todas as nossas facetas, com a dor e a delícia de sermos quem somos. Que reconheçamos o direito do outro de ser inteiro. E que não percamos a coragem de continuar tocando em frente. Afinal, dor de cabeça passa, e ninguém disse que precisa ser perfeito para ser feliz.

Imagem: reprodução Pinterest

Paris: a de Hemingway, a de Woody Allen e a minha

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Meia Noite em Paris é meu filme favorito do Woody Allen. Foi aquela seqüência inicial que fez ficar obcecada por Paris e ir para lá pela primeira vez, para passar míseros dois dias e meio. No filme, o personagem principal, falando por Woody, acha a cidade particularmente bela em dias de chuva. No filme, pode até ser, mas na vida real a chuva atrapalha um pouco a vida dos turistas que querem explorar a cidade como se deve: batendo perna. Passar uma semana por lá, sem sol, com frio e chuva, me fez querer socar o Woody por essa história de a cidade ser mais linda em dias de chuva. 😊

Outro apaixonado pela cidade luz, e que viveu por lá nos anos 20, também tem sua “versão” de Paris. Mister Hemingway descreve os anos que por lá viveu de um jeito saboroso no livro Paris é uma Festa. Comprei…

Ver o post original 320 mais palavras

50 tons de azul

Depois de dias deliciosos em Roma, era hora de pegar um trem para Nápoles e, de lá, seguir para Sorrento, lugar escolhido para encerrar meus dias de dolce far niente na Itália.

É difícil descrever o tanto que este lugar é lindo. O azul do céu encontrando o azul do mar é uma imagem daquelas que deixam a gente sem fôlego e sem palavras. Ao fundo, o Vesúvio reina imponente. O vulcão dorme há vários anos, mas está ativo. Tomara que durma como um bebê para sempre. 

A cidade é charmosa, com ruas estreitas cheias de lojinhas, igrejas e restaurantes. A praia (chiquetosa) fica ao pé da encosta, e a caminhada para chegar lá é puxada. Outra opção é usar o elevador no centro da cidade, mas aí você perde a vista linda (bora andar, faz bem para as pernas).

Entre as tantas delícias do lugar, destaque para os produtos feitos com os famosos limões da região: sorvete, granita, balas, biscoitos, chocolates e, claro, o onipresente e delicioso limoncello, um licor que costuma ser tomado como digestivo. Eu, que adoro limoncello, curti muito experimentar alguns direto da fonte, nas lojas de produtores locais. 

Comi muito bem por lá (os frutos do mar são fresquinhos e muito saborosos). Os dois restaurantes abaixo são os que mais gostei. No primeiro, além da boa comida, uma vista deslumbrante. No segundo, comi a melhor pasta da viagem, com camarões e um molho de limão de chorar de tão bom. 

http://www.circolodeiforestieri.com/#menu-item-1894

http://www.ilpozzoristorante.it/default.aspx

Aproveitei para conhecer outros lugares de sonho, Costa Amalfitana e Capri.

O passeio para a Costa foi feito de van, pela estrada conhecida como “Mamma Mia road”, por conta do número de curvas (mais de 1.000!) e também pelo tanto que é estreita. Às vezes, a van tinha de parar para outra passar. Tudo ali, na beirada do despenhadeiro. Passeio com emoção, rs.

Nada do que tinham me contado sobre o lugar tinha me preparado para a beleza daquelas paisagens. Nem fiquei com medo da estrada, porque não tinha espaço para outra emoção que não fosse encantamento. Pequenos vilarejos encravados na montanha, e aquele mar sem fim brilhando ao sol. Deus estava muito inspirado quando desenhou aquele pedaço do mundo.

O passeio incluía três paradas: Positano, Amalfi e Ravello, sendo que conhecer a primeira delas era meu sonho desde que vi o filme Sob o Sol da Toscana, então esta era a cidade que me interessava mesmo conhecer. As outras seriam bônus. Pois bem, logo ao chegar em Positano, desabou um temporal daqueles completos, com chuva forte, vento, raios e trovões. Com isso, o jeito foi achar um lugar para tomar um café, porque explorar as ruas íngremes com um tempo daqueles não ia dar. Fuém, fuém, fuém. #fail

Não vou mentir dizendo que não fiquei decepcionada, porque fiquei. Mas tratei logo de me animar porque, afinal, ficar reclamando não ia adiantar nada, né? Nem sempre as coisas saem como a gente quer, e tudo bem, vida que segue.

Depois da chuva, vem o sol, e foi exatamente isso o que aconteceu…logo que saímos de Positano, a chuva parou e, aos poucos, o céu limpou e o sol brilhou lindo o resto do dia, para noooossaaa alegria, já que ainda havia duas lindas cidades para conhecer.

A segunda parada foi na linda Amalfi, com sua deslumbrante catedral em estilo bizantino, também chamada de Duomo Amalfitano. A construção é o ponto central da pequena e charmosa comuna, com ruelas coloridas repletas de turistas, e a pequena praia com aquele marzão lindo. Segundo uma lenda antiga, Hércules construiu esta cidade quando Amalfi, a ninfa que ele amava, morreu, porque ele queria que ela fosse sepultada no lugar mais lindo do mundo. Ele deu o nome da amada à cidade como forma de imortanizá-la. Não é à toa que aquele lugar é tão romântico, misericórdia.

Subindo sempre, chegamos na cidade mais alta da costa, Ravello, uma pequena joia que foi a grata surpresa do passeio. Pouco tinha ouvido falar deste lugar, e me apaixonei quando vi aquela igreja branca na praça, aquela vista linda dos paredões verticais e aquela azul absurdo do mar. É um lugar de sonho, parece uma pintura. 

Para deixar tudo ainda mais mágico, de julho a setembro a cidade (cujo “apelido” é cidade da música) realiza um festival de música clássica em homenagem ao grande compositor Wagner, que passou passou algum tempo por lá, chegando a compor sob inspiração dos jardins da Villa Rufolo. Quando estive lá, visitei a villa e vi o palco já quase pronto para receber os artistas que encherão de música aquele paraíso. Fiquei pensando no tanto que deve ser mágico assistir a um concerto com uma vista daquelas, e a cidade entrou na lista dos lugares “vale a pena ver de novo”. Da próxima, vou sincronizar as férias com o festival de música (claro, aproveitarei para passar por Positano, sem chuva, toc toc toc). Voltei para Sorrento encantada com tanta beleza, grudada na janela para não perder nem um segundo daquele cenário de sonho.

No dia seguinte, o destino foi a famosa e badalada ilha de Capri. Uma curta viagem de barco, saindo da Marina de Sorrento. Logo de cara, as rochas Faraglioni, símbolo da ilha, impressionam. A natureza e suas obras-primas. 

Desembarcando na ilha, o passeio começou lá no alto, em Anacapri, outra pequena comuna da ilha, independente administrativamente da “vizinha” mais famosa, Capri. Ambas pequetuxas, mas com seu próprio prefeito e seu próprio glamour. 😀

Primeira constatação sobre Anacapri: linda de morrer, benzadeus. Segunda constatação: venta muito (mesmo) lá em cima e, na sombra, estava friozinho. Nada que um cappuccino não resolva. Uma das atrações do lugar é um elevador daqueles de cadeira (tipo estação de esqui) que leva os corajosos lá para o alto mais alto da ilha. Com aquele vento todo, não obrigada! Preferi bater perna até achar a escadaria grega, com uma (desculpa a redundância, mas tenho de ser fiel à verdade) vista deslumbrante da marina lá embaixo.

Descendo o morro, era hora de conhecer a Capri dos ricos e famosos, com sua badalada (e minúscula) piazzetta, lojas de grife e muito charme. Pensa num lugar phyno, aumenta um pouco o grau de finesse e pronto, esta é Capri.

O que eu mais gostei lá foram os Jardins de Augusto, com suas cores e (sim, de novo!) uma vista matadora do mar Tirreno, incluindo as Faraglioni. Suspiros, suspiros, fotos, fotos, alegria, alegria. Na volta para a praça, comprei uma granita (a raspadinha italiana, rs) de limoncello para refrescar, porque nesta altura da ilha o calor estava de matar. 

O dia passou voando em meio a tanta beleza, e logo era hora da voltar para a Marina Grande para pegar o barco até Sorrento. A ilha faz jus à fama de beleza e glamour, sem sombra de dúvida. 

Ir para a costa azul da província de Salerno depois de passar uns dias em Roma foi uma boa escolha. A cidade eterna é super agitada, numa vibe “go, go, go” que inspira ação e movimento.

Chegando em Sorrento, pude sentir claramente a mudança de ritmo, uma cadência mais suave ditada pelas ondas do mar. As belezas da natureza ajudam a desacelerar e relaxar, o que me permitiu ficar quietinha, apenas admirando o visual e pensando na vida. E aquele azul todo, do céu e do mar, me abraçou e foi um bálsamo para minha alma, uma fonte de energia positiva que trouxe comigo, no meu coração.

As férias estão acabando, uma nova (e incerta) fase vem pela frente. A vida, sábia, sabe a hora de enviar o sol e a chuva, a calmaria e a tempestade. Tudo é cíclico, tudo tem razão de ser. E uma coisa é certa, não importa o tamanho da tempestade, o sol vai voltar a brilhar. A gente só precisa acreditar, e parar de lutar contra, aceitando a chuva e entendendo que precisamos dessa água toda para lavar a alma e preparar o terreno para o novo começo. Benditos os momentos de chuva que nos fazem receber o sol com um sorriso no rosto. Benditos os dias cinza que amplificam a beleza da volta do azul.

   
                                                                     

O pecado da gula

A Itália é uma terra cheia de tentações. Os italianos são famosos por saber aproveitar a vida como poucos, em todos os sentidos.

A comida é um capítulo à parte, e certamente um dos motivos que atraem tantos turistas famintos para provar os sabores intensos daquela culinária tão rica.

Lembro de ler “Comer, Rezar, Amar” literalmente com água na boca por conta das descrições detalhadas que a autora faz de suas orgias gastronômicas em Roma e arredores. A cada vez que volto para aquela terra, eu mesma trato de protagonizar minhas próprias orgias naquelas mesas na calçada, com toalhas xadrez e uma taça de vinho para acompanhar. Já escrevi sobre os pecados capitais, e confesso que a gula é um dos meus favoritos. Na Itália, o nível de pecado atinge níveis alarmantes, e penso que estou ficando cada vez melhor neste pecado. Sabe como é, a prática leva à perfeição.

https://365paginasembranco.wordpress.com/2013/02/27/sete-tons-de-pecado/

Eu começo a pecar antes mesmo de comer, ao cobiçar (opa, duplo pecado) a comida alheia. Calma, eu explico. Todos os restaurantes têm mesa na calçada, e quando você está passeando, é inevitável acabar “reparando” nos pratos. No meu caso, olho e penso “nossa, poderia comer isso agora” ou “pre-ci-so experimentar isso”. Confesso que estava me sentindo um ser estranho (tipo, se controle mulher), até o dia em que, confortavelmente acomodada em minha mesa na calçada, e prestes a “me atracar” com meu lindo e delicioso espaguete com frutos do mar, eu percebi muitos olhares cobiçosos das pessoas que passavam na rua. Rá, não sou a única perturbada! #somostodosgulosos 

Escolher o que comer é sempre um dilema cruel. Qualquer prato que você peça vai ser gostoso (eu não comi mal nenhuma vez, juro. Claro que houve coisas boas e coisas muuuitoooo boas, mas nada ruim), mas escolher um significa abrir mão de todos os outros, e isso dói gente. Não gosto de abrir mão, quero tudo! E vai ter sempre um vizinho de mesa que pede o prato em que você estava pensando mas não pediu, e vai te fazer se arrepender por um minuto…até seu prato chegar e você dar sua primeira garfada e se sentir no paraíso. 

Durante os dias em que estive lá, fiz a dieta da massa e da pizza, quase diariamente. Uma caprese aqui, prosciuto com melão ali, mas na grande maioria das vezes, um belo prato de massa ou uma linda pizza. Tudo muito gostoso e calórico, claro. Mas, com o tanto que andei debaixo daquele sol escaldante, até que o estrago não foi tão grande. 🍝🍕🍷🙏🏻

Ah, sim, já ia me esquecendo dos gelatos. Mamma mia, que coisa boa! Depois de casa refeição, você sente que precisa (atenção ao verbo, é precisar mesmo, não querer) de um gelato para fechar a comilança com chave de ouro. E aí é só correr para o abraço, porque todos são deliciosos, tantos os da gelateria charmosa na Piazza quanto os do trailer da esquina. Felicidade gelada e cremosa, em múltiplos sabores e cores. 

Eu, super fã da Liz Gilbert, tenho um xodó particular pelos gelatos da San Crispino. Como fiquei hospedada perto da Fontana di Trevi, e tem uma lá perto, bati ponto lá várias vezes (o vendedor já me conhecia, rs) e provei vários sabores até eleger meus dois favoritos: chocolate ao rum e gengibre com canela. #eatpraylove #gelatoévida

Comer, na Itália, é algo prazeroso, para ser desfrutado sem pressa, praticamente um ritual dado o número de pratos que uma refeição pode incluir (antipasto, primo, secondo, contorno, dessert). Com a vida corrida que levo, acabo comendo muito rápido, muitas vezes sem nem prestar atenção direito no que estou comendo.

Sempre aproveitei bastante as refeições na Itália, mas desta vez foi especial. Estava mais relaxada, acho, querendo aproveitar totalmente a vida italiana, então curti cada prato, senti os aromas, saboreei cada garfada sem culpa, admirei as cores, me lambuzei.

Tem dois momentos que vou guardar para sempre como “símbolos” dessa entrega ao prazer de saborear a vida. Em Sorrento, em um restaurante lindo, com vista para o mar, pedi um linguine com camarões. O prato chegou, lindo e com um molho de tomate daqueles matadores. Foi dar a primeira garfada para a lambança começar, com a massa tentando fugir do seu destino (ser comida por mim, olha que honra) e molho respingando por todos os lados. Em outros tempos, teria ficado envergonhada. Desta vez, me peguei rindo sozinha enquanto limpava meu queixo. Olhando em volta, recebi sorrisos de solidariedade que diziam “você está na Itália, essa comida é uma delícia, se joga!” (tradução livre, hahaha). Foi o que fiz, comi tudinho e ainda raspei o molho com aquele pão italiano maravilhoso. 

Em Capri, pedi pizza para o almoço. Lá, a bonita é servida inteira, o que gera assim, digamos, uma certa dificuldade para comer de garfo e faca. Desde a primeira (de muitas, rs) pizza por lá eu vinha alimentando a fantasia de fatiá-la e comer com as mãos, mas não tinha tido coragem. Afinal, o que iam pensar de mim? Uma selvagem sem modos, no mínimo. Enfim, no outro dia voltaria para casa e decidi que era um bom momento para matar minha vontade. Cortei minha marguerita em fatias e, ignorando os olhares dos vizinhos de mesa, comi cada um dos pedaços com a mão. Sério, foi a melhor pizza da vida. Um tempo depois, quando olhei em volta, tinha mais gente comendo com as mãos e com jeitinho bem feliz. Não é que eu esteja desfazendo da importância dos bons modos à mesa, apenas acho que, às vezes, a gente pode se dar ao direito de fazer uma pequena estrepolia como esta e se lambuzar de felicidade.

Sim, foi uma viagem saborosa. Sim, comi muito, com muito prazer. Comi com os olhos, com o olfato, com as mãos e a boca, o coração e a alma. É como eles dizem por lá: mangia che te fa bene. Quem sou eu para discutir?

   
               

  
  

Para Roma, com amor

Não é segredo para ninguém que Roma é meu lugar favorito no mundo, então não foi lá muita surpresa quando decidi voltar nas férias deste ano. Era minha quarta vez na cidade, e a emoção de chegar era igual – se não maior – do que na primeira vez em que lá estive. Baby, I am back in town! 

O voo chegou bem cedo e, no hotel, o quarto não estava liberado. O jeito foi largar as malas lá e sair para dizer “oi” para minhas amadas ruas alaranjadas. A temperatura ainda estava amena, e a cidade não tinha acordado direito, então pude ter as ruas quase que só para mim, algo raro num lugar sempre tomado por multidões. O gostoso de voltar a um lugar é a sensação de reencontro, de familiaridade, de estar em casa. Não há obrigação de nada, apenas o prazer de rever seus recantos preferidos e a oportunidade de experimentar coisas novas. Há menos fotos (tá, não tão menos assim, rs) e mais sorrisos de reconhecimento ao se dar conta de que você já esteve naquela rua, naquela esquina, naquele restaurante.

Saí da Fontana di Trevi (em reforma, sem água, #chatiada), vizinha ao meu hotel, e desci até o Panteão. Elegi esse pedacinho da cidade o meu favorito para “la passeggiata”, e repeti o caminho muitas vezes nos dias seguintes. Céu azul contrastando com o laranja das paredes, um presente de boas-vindas para esta polaca nascida no Brasil com coração italiano. ❤️💚

A praça do Panteão ainda estava vazia, assim como este templo antigo, hoje transformado em igreja. A construção é impressionante, com o sol que entra pela cúpula dando ao local uma luz única. Fiquei lá tranqüila, aproveitando o raro silêncio para admirar toda aquela beleza e fazer minhas orações.

Dali, segui para a Piazza Navona, linda e ainda com poucos turistas. Pude ter a Fonte dos Quatro Rios quase só para mim, e ver os primeiros artistas exibindo suas gravuras. Voltei outro dia para curtir a praça fervilhando de gente e ver a vida passar tomando um spritz em uma mesa na calçada, uma das coisas que mais gosto de fazer por lá. Salute!

Muitos passos depois, bateu o cansaço, e a fome também. Voltei para a praça do Panteão, a essa altura já tomada pelo povo, e escolhi um restaurante para o primeiro almoço em terras italianas. Vinho branco, prosciuto e melão (com aquele calor, escolha perfeita) e aquela vista linda como cereja do bolo: sim, eu estava de volta. Antes que eu me esqueça, obrigada Deus. 🙏

E assim foram meus dias em Roma. Muita andança, muito céu azul e ruas alaranjadas, muito calor, muita felicidade, muita comilança, muita gratidão. 

Vaticano, Castelo de Santo Ângelo, Coliseu, Fórum, Piazza Spagna, Piazza del Popolo, Trastevere,  incontáveis igrejas, algumas lojas, Musei Capitolini, Campo de Fiori, muitas refeições (pasta ou pizza, oh dúvida cruel) regadas a vinho (sempre em mesa na calçada, per favore!), gelato de sobremesa religiosamente (normale!), o idioma italiano como música para os ouvidos, o exercício do dolce far niente levado a sério, o charme dos italianos. Músicos de rua em todas as praças, uma mistura deliciosa: violino, harpa, violão, acordeom, música clássica, tango, Beatles, canções italianas. O grupo de hare krishnas percorrendo as ruas com seus mantras e energia boa. 

Uma cidade sempre em movimento, que inspira vida, prazer, alegria. Sons, cores, cheiros, sabores, um banquete para os sentidos. Meu lugar favorito no mundo. Roma, Io te voglio tanto bene. Grazie mille e até a próxima! 😉

   
                                   

Sabores da Toscana

Minha história de amor pela Toscana começou em 2012, quando passei alguns dias viajando por lá com amigos queridos. 

Sob o sol da Toscana | 365 páginas em branco

https://365paginasembranco.wordpress.com/2013/03/14/sob-o-sol-da-toscana/

Estava com saudade de toda aquela beleza e de todos aqueles sabores, então resolvi fazer um passeio de um dia por lá nestas férias.

Saímos de Roma logo cedo, rumo ao Vale D’Orcia. A primeira parada foi a linda Pienza e suas ruelas de pedra, ruas com nomes inspiradores (Rua do Beijo, Rua do Amor) e vistas de tirar o fôlego. O dia estava nublado mas, mesmo assim, a lindeza é muito grande. Tivemos tempo livre para passear por lá, e eu aproveitei para tomar um café e, de quebra, comi o melhor corneto (uma espécie de croissant) da vida, quentinho, recheado de creme e coberto com açúcar de confeiteiro. Sério, poderia casar com aquele doce. 

Depois, fomos conhecer a loja de cerâmica da Linda, que fica praticamente incrustada numa caverna, onde podemos ver parte dos túneis que percorriam a cidade e, também, a mais antiga cisterna de Pienza. Linda não fala inglês e nosso guia traduzia o que ela dizia. Fácil perceber, mesmo sem tradução, a paixão dela pelo lugar e por seu trabalho, o que se reflete na beleza das peças que ela produz.

http://www.ceramichebai.it/Eng/homeEng.html

Deixamos Linda e sua cerâmica para traz e fomos fazer uma degustação de queijo pecorino. Pois é, nada fácil, mas a pessoa tem de ser corajosa e enfrentar, né? 😀

O queijo pecorino é produzido com queijo de ovelha, e dizem que é tão saboroso porque o pasto dos bichinhos lá nas montanhas inclui ervas aromáticas que, de certa forma, “temperam” o leite. A degustação incluiu queijos com três diferentes tempos de maturação (do mais jovem para o mais curtido), e tanto a textura quanto o sabor e aroma vão ficando mais acentuados. Também provamos uns tipos de salame e um balsâmico trufado de comer rezando. Tudo muito, muito bom. 

Pegamos a (linda!) estrada de novo para irmos até a fazenda onde almoçaríamos. Difícil descrever a felicidade de rever aqueles mosaicos verde-dourado de novo.

Quando chegamos na Podere Spedalone, fomos recebidos pelo dono, Alessandro, com um aperto de mão firme e sorriso aberto. Ah, sim, outro apaixonado pelo que faz, a gente logo percebe. O lugar é lindo, exatamente como a gente imagina que uma propriedade na Toscana seria, com uma sede antiga, de pedra, olivais e campos a perder de vista. 
Já havia vinho (branco, toscano, e tinto, um Chianti reserva) nos esperando, e logo começou a “tortura”. Andrea, nosso guia, já tinha nos avisado que o menu do almoço é sempre surpresa, porque a comida é feita com o que de mais fresco houver por lá, tudo orgânico. 

O primeiro prato foi uma torta de legumes com molho de açafrão e pecorino. Depois, pasta caseira com ricota e flor de abóbora. O prato principal foi uma receita antiga e tradicional chamada “Tonno del Chianti”. Apesar de ter atum no nome, o prato é, na verdade, feito de carne de porco (o ombro) marinada em vinho branco. Alessandro nos contou que a receita começou a ser preparada na época em que os arrendatários tinham de dar metade de tudo o que produziam para os donos (a melhor metade). Para eles, sobrava o ombro do porco, que era cozido com o vinho que estava começando a virar vinagre, e conservado na própria gordura, que subia depois do cozimento formando uma camada de proteção para a carne. No fim das contas, o atum que na verdade é porco foi servido (sem um pingo de gordura, bem macio) com verdura refogada (folhas de couve-flor) e estava absolutamente delicioso! 
Para encerrar esse banquete, faltava a sobremesa, que foi gelato de baunilha (artesanal, feito na fazenda) com azeite extra-virgem de oliva (primeira prensagem) e pimenta rosa. Confesso que achei a mistura um tanto estranha, mas eu adorei! O amarguinho do azeite, o doce do gelato e o picante da pimenta combinaram muito bem. A refeição foi temperada com boa conversa e risadas, o que tornou tudo ainda mais especial.
Depois do almoço, pudemos explorar um pouco a propriedade, que também é B&B, e juro que a vontade que dá é ficar por lá mesmo. Paraíso define. No entanto, logo veio o cafezinho, biscoito caseiro (feito com azeite de oliva) e já era hora de dizer arrivederci e seguir nosso caminho. 

http://www.poderespedalone.it/

Chegando a Montalcino, subimos até a torre da fortaleza para ver o vale do alto. Redundante dizer que a vista é linda demais (mesmo com nuvens negras ameaçando chuva), mas direi mesmo assim, rs. 

De lá, seguimos para a vinícola Cordella, onde fomos recebidos pela Madalena, uma italiana cheia de energia que, segundo o nosso guia, é uma força da natureza. Nos primeiros minutos de conversa a gente entende essa definição. Ela toca o negócio junto com o pai (a quem ela chama carinhosamente de “nasty man), e vai contando suas histórias com aquele sotaque carregado que deixa tudo mais interessante. Eles estão construindo uma piscina (o local também é uma pousada), o que na Itália parece ser uma tarefa hercúlea, ao menos para quem, como Madalena, quer fazer tudo certo sem dar propinas e outros que tais. Segundo ela, it is a disasterrrrrrr, mas a piscina vai estar pronta (e linda) em setembro. 

Madalena nos mostrou as vinhas novas (as uvas produzidas lá são do tipo sangiovese grosso) e, depois, nos mostrou as instalações e explicou todo o processo de produção. Tudo feito com muito cuidado e capricho, o que resulta em um vinho cuja qualidade vem sendo reconhecida pelo mercado. O Brunello 2010 foi premiado e é a “menina dos olhos” dessa mulher forte e (sim!) apaixonada pelo que faz. Ela também mostra, com orgulho, o vinho rosato que é criação/inovação dela, um vinho “que as mulheres gostam”. Juro que fiquei com vontade de voltar em setembro para ajudar a colher as uvas. Se bem que a Madalena parece ser uma chefe bem exigente, o que combinado com minha falta de jeito para tarefas do campo, seria um total disasterrrrrrr. Deixa pra lá. 😁

Depois dessa conversa boa, chegou a hora da degustação (oh glória!). Para acompanhar os vinhos, alguns petiscos: salame produzido com carne de porco da raça toscana cinta senese (eles têm uma faixa/cinta de pelos brancos, daí o nome), pão caseiro com azeite de oliva (produzido por eles) e com balsâmico de vinho Brunello. Dá para ficar aqui para sempre?
Começamos pelo rosato, criação da Madalena. Eu, que sou bem fã de vinhos rosé, acho que ela fez um gol de placa ao usar as uvas sangiovese grosso para produzir este outro tipo de vinho, mais leve e de cor linda. Obviamente, trouxe uma garrafa para conhecer o Brasil.

Depois, passamos para o “príncipe” dos vinhos, o rosso de Montalcino, um tinto que precisa ficar nos barris de carvalho por oito meses até estar pronto para ser engarrafado. Mais três meses na garrafa e o príncipe está pronto para fazer os apreciadores de vinho felizes. Eu fui bem feliz, garanto.

Finalmente, chegamos ao ponto alto da degustação, o “rei” dos vinhos, sua alteza o Brunello de Montalcino. Provamos duas safras, 2009 e a premiada 2010, ambos deliciosos. Os brunellos precisam ficar nos barris por 24 meses, e outros seis na garrafa antes de estarem prontos para o consumo. Com isso, são mais encorpados e complexos. Como prefiro os tintos mais leves, acabei trazendo o príncipe rosso para casa (com todo respeito pelo rei, que fique claro). 

Ah, já ia me esquecendo. A Cordella também produz grappa, uma espécie de cachaça de uva, e pudemos degustar as duas variedades que eles produzem. Com os seus 43% de teor alcóolico (o vinho tem 14%), parece fogo líquido. A qualidade é inquestionável, mas vou continuar no vinho mesmo. 😊

Na despedida, agradeci a Madalena pela acolhida e parabenizei pelo trabalho que ela estava fazendo ali. Sorrindo, ela agradeceu e disse que tudo é uma questão de se trabalhar com amor e paixão, e que se for apenas por dinheiro não faz sentido. Sabedoria toscana que tocou fundo no meu coração. 

http://www.cordellavini.it/vigneti-en.php

Dizem que tudo que é bom dura pouco, e logo estávamos na estrada de novo, voltando para Roma e deixando a exuberante Toscana para trás. Mas, pensando bem, essa coisa de tempo é tão relativa…foi apenas um dia, mas neste único dia vivi experiências inesquecíveis e conheci pessoas apaixonantes. Durou o tempo suficiente para ficar para sempre na minha memória e no meu coração, e só aumentou meu amor por essa região que é, literalmente, um banquete para os sentidos. Algo me diz que essa história ainda terá muitos outros capítulos. 😉