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Sampa

Mudar para São Paulo nunca esteve nos meus planos, mas acabou acontecendo por conta do trabalho. Desde que vim para cá, já perdi as contas de quantas vezes me perguntaram se eu tinha me adaptado por aqui. A resposta foi sim, desde o começo, e isso surpreendeu muita gente. Afinal, aqui é tão diferente da minha amada São José dos Pinhais, com suas araucárias e toda aquela tranquilidade, né?

Então, é diferente mesmo. Tipo, muito! Mas, para mim, isso nunca foi um problema. Sempre fui uma pessoa do tipo “e”, não do tipo “ou”. Gosto de doce e salgado. De árvores e de prédios. De rock e de música sertaneja. De futebol e de livros. De drama e de comédia. De vinho branco e de vinho tinto. Nunca vi motivo para me limitar entre este ou aquele estilo, esta ou aquela turma, este ou aquele sabor. Então, o contraste de Sampa com minha São José (que continua lá, Congonhas te amo!) é muito bem-vindo. Sou feliz aqui e lá.

E como tem coisa para fazer aqui, mano do céu! A cidade não para, tem atrações para todos as tribos e bolsos. Gosta de arte? Opa, todas estão por aqui! Esporte é a sua praia? Tranquilo, só escolher e torcer. Business? No problem, vem que tem. Quer meditar? Inspira e expira. Ah, está querendo se atualizar, estudar? Eita, difícil vai ser escolher por onde começar. Quer comer bem? Seja você low ou heavy carb (eu na vida!), se deu muito bem!

Como sou a louca da lista, resolvi fazer uma com as coisas que mais me fizeram feliz desde que cheguei aqui, nesta Sampa que já tem lugar na cobertura do meu coração, do ladinho da cidade onde nasci. 😊

Saborear a cidade

Bem, não seria eu se não começasse falando de comida, né? O que não falta por aqui são bons lugares para comer bem, oh glória! Comida brasileira, e do mundo todo. Comida de rua, comida de chef famoso. Comida de boteco, comida de restaurante chique. Até tentei fazer uma lista dos lugares que queria conhecer, mas depois resolvi deixar a vida me levar e ir experimentando os sabores da cidade sem grandes planos.

A Vila Madalena é meu bairro preferido para as aventuras gastronômicas, por ser uma bela representação da diversidade culinária da cidade. Lá, é possível curtir uma feijoada em um restaurante simples, com mesa no quintal, comer petiscos com cerveja bem gelada nos botecos sempre cheios e, até, encontrar um jardim secreto no qual os donos (franceses) servem vinhos naturais em mesas compartilhadas debaixo das árvores. Ou seja, um lugar perfeito para uma pessoa do tipo “e”, como eu.

Ah, preciso abrir um parênteses para um dos meus crushes paulistas: as padocas, com seu pão na chapa e frango assado de fim de semana”. #muitoamor

Arte, a gente vê por aqui

Para começar, os museus. Eu gosto bem de um museu, e aqui tem vários. Destes , conheci apenas dois por enquanto. No Masp, um belo acervo permanente – com obras de Monet, Van Gogh, Picasso, Renoir e outros grandes artistas –, além de mostras temporárias. De quebra, fica na Paulista, e só isso já vale o passeio, ainda mais no fim de semana, quando as ruas são fechadas para os carros e abertas para as pessoas.

Na Pinacoteca, o prédio em si é uma obra de arte. Além disso, fica do lado do Jardim da Luz, fazendo do lugar um oásis na loucura da cidade. Quando estive lá, vi a exposição de Tolouse-Lautrec e, depois, almocei no café anexo ao museu, em uma das mesas com vista para o jardim. O dia estava ensolarado, foi um daqueles momentos perfeitamente felizes.

O capítulo música também trouxe experiências deliciosas. Fui aos shows do Bon Jovi e do U2 (suspiros, muitos suspiros). Jantei ao som de jazz na Vila Madalena. Almocei ao som de música francesa no Itaim. Assisti a um concerto do maestro João Carlos Martins, em pleno Beco do Batman, na Vila Madalena.

Fui a lançamentos de livros de amigos (que orgulho!), assisti um show de stand up comedy  e uma apresentação da ópera Carmina Burama. Nutri a alma de várias maneiras, e tenho fome de muito mais. #tudojuntoemisturado #gostoassim

Os prédios refletindo Sampa

Já fiz muito overposting com as fotos dos arranha-céus daqui. Meu, que cidade fotogênica! Ver os prédios daqui aquece o meu coração do mesmo jeito que ver os pinheiros lá de casa. É a marca registrada da cidade. Gosto especialmente dos dias de sol, quando as fachadas dos prédios refletem as nuvens e a cidade em seu fluxo incessante de carros (o trânsito é uma “treta” daquelas, odeio bem odiado, antes que me perguntem. Nada é perfeito, né?).

A Paulista é meu lugar favorito para namorar os prédios. No domingo, caminhar por lá é uma delícia. Os carros saem e dão lugar para as pessoas. Famílias e seus pets se misturam aos artistas que transformam a rua em um grande palco. O passeio rende bons momentos e belas fotos. #paraísodasselfies #quemnunca

A lista ficou longa, mas ainda falta coisa! Fui no estádio assistir ao jogo do Palmeiras, e arrepiei com o canto da torcida. Fui almoçar no Bexiga e me encantei com a igreja da Achiropita. Fui na feirinha da Benedito Calixto e me apaixonei pela feirinha. Descobri o metrô daqui e vi as distâncias diminuírem (sim, é bem cheio, mas os de Milão e Londres também são, né amores?).  Fui caminhar no parque (tá, fui encontrar uma amiga e sua linda filhinha, mas tá valendo. Não, não fui no Ibirapuera ainda…#mejulguem #umdiaeuvou #paz). Descobri uma igreja simples e linda perto de casa, onde peço que São Francisco cuide de mim e dos meus amados. E por aí vai, lista infinita, sobre uma cidade que não cabe em si.

Ah, sim! Está faltando algo muito importante. O tempero dessa mistura toda, o que faz dessa cidade um lugar que posso (também) chamar de lar: as pessoas! Já tinha amigos queridos aqui, que me ajudaram a me instalar e me fizeram sentir que tinha com quem contar. Depois, fui conhecendo tanta gente tão bacana, que me acolheu com seu coração generoso e esse sotaque que eu gosto tanto. Hoje, o número de amigos queridos (os daqui, os de lá, os de sempre) se multiplicou, que sorte a minha.

E foi assim, aos poucos, mas rapidamente, que eu me apaixonei por essa cidade. Uma história de amor que está só começando. 😉

 

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Sem palavras 

Sempre fui apaixonada pelas palavras. Crush dos brabos, daqueles que a gente jura que vai ser para sempre. Me apaixonei tanto pelas palavras dos outros — os livros — que ousei dar voz às minhas por meio das mal traçadas linhas deste blog.

Escrevi loucamente por um bom tempo. Era uma terapia, um hobby, um exercício — tudo ao mesmo tempo agora. Tinha tanto para contar, tanto para dividir. Gostava de pensar nos meus textos como uma espécie de crônica da vida real: eu escrevia sobre o que eu via, vivia, sentia, sonhava. Um amigo definia meu estilo como prosa poética, e de alguma maneira me reconhecia nessa definição. Parecia um bom jeito de contar as minhas histórias: direto e reto, mas com uma pitada de delicadeza.
Escrever já era um prazer em si, potencializado pela troca com os “leitores”. Me emocionava quando alguém me contava que seguia o blog, que compartilhava de algum sentimento, que tinha rido de alguma história. Pode soar arrogante — e talvez seja mesmo —, mas me sentia um pouco como os autores dos livros que eu tanto amava. Era bom saber que as minhas palavras encontravam abrigo e ressonância em outros corações.

De repente, a vontade — ou seria a coragem? — de escrever sumiu. Fiquei sem palavras. O barulho interno era tão alto que não conseguia colocar aqueles sentimentos no papel. Não conseguia passar a limpo. Depois de algumas tentativas frustradas, desisti. O blog ficou lá, com muitas das pretendidas 365 páginas ainda em branco.

 

Não é que a paixão pelas palavras tenha acabado. Apenas “demos um tempo” na relação. O problema não eram elas, era eu. De vez em quando, batia saudade, mas, teimosa que sou, não dava o braço a torcer. Como vou escrever sobre tudo isso que está acontecendo, eu pensava? Não dá, não sei lidar, melhor esperar a vontade passar.

 

Bem, a vontade não passou. Novos amigos leram velhos textos, e recebi de volta uma energia tão boa que acabou reavivando as chamas da paixão. De verdade, ainda não sei como vou contar as novas histórias, mas sinto que preciso, e tenho certeza de que quero.
Então, cá estou eu mandando um “oi, sumido” para o meu blog. A próxima mensagem vai na linha do “e aí, o que tem feito de bom?”.
 

Vida: episódio 2016

O episódio 2016 dessa série chamada vida está acabando. Um episódio daqueles de tirar o sono, fazer chorar e rir, pular de alegria, arrancar suspiros de emoção, fazer bufar de raiva, deixar preso no sofá, incapazes de acreditar no que nossos olhos estavam vendo. 
E os personagens? Ah, os personagens… alguns pareciam vilões e se revelaram heróis, e outros que começaram encantando, terminaram fazendo chorar. Alguns saíram da história de forma imprevisível, outros chegaram no meio do episódio e, de mansinho, foram conquistando seu espaço. Há, também, aqueles que permaneceram firmes e fortes, apesar de todas as reviravoltas. Laços se desfizeram, outros nasceram e outros se confirmaram.
Teve cenas de romance, com açúcar e pimenta. Teve momentos de suspense, daqueles de fazer cruzar os dedos e torcer para que tudo desse certo. Houve, ainda, cenas dramáticas, com direito a escorregar pela parede chorando como se o mundo estivesse acabando. Momentos de tédio, com roteiro meio repetitivo? Teve, sim senhor. Desfechos inesperados, daqueles melhores que a encomenda? Opa, teve também. Finais (novos começos?) felizes? Sim, obrigada Redator! 
As locações também tiverem papeis importantes. Cenários diferentes para ilustrar a busca por respostas e experiências. Idas e vindas em aeroportos, pores-do-sol com vista para o rio, reencontro com as raízes, jantares regados a vinho, conversas cheias de significado, com horizontes sendo revisados e ampliados, mudanças de corpo e de alma. Cenas tranquilas no núcleo familiar, doces e ternas, outras agitadas com os amigos pelo mundo.
O roteiro do episódio 2017 já está no forno. Alguns enredos foram concluídos, mas vários outros permanecem em aberto, com mistérios a desvendar, reencontros para acontecer, personagens novos para chegar, conquistas para comemorar, romances para viver, desafios para vencer, paz para construir. Protagonistas que somos, temos a liberdade e responsabilidade de dar nossa contribuição para que a história seja um sucesso. Pode pegar a pipoca e o espumante, o espetáculo já vai começar…

 Imagem: reprodução Pinterest

Baseado em fatos reais

Um belo dia, numa dessas “coincidências” da vida, você esbarra em alguém. Uma história dessas que a gente lê nos livros. Encontro casual, cada um segue seu rumo, e um dia, um dia daqueles em que você está brigando com Deus porque as coisas não dão certo, a pessoa reaparece. As redes sociais e seu poder de conexão. Gato escaldado que é, você fica com os dois pés atras, mas o destino parece decidido a dar uma mãozinha. Gostos parecidos, histórias parecidas, conversa fácil, sincronicidade te colocando no lugar certo, na hora certa. Ainda com o pé atras, razão dizendo para segurar a onda, mas o beijo…ah, o beijo! A mágica acontece, o vinho fica na taça, o tempo ganha outro ritmo. Aí você pensa, pronto, era isso, vida que segue. Mas a mágica continua, inclusive parece aumentar. A distância física não é problema quando há proximidade de almas. Trilhas sonoras sem fim. Nesta altura, você já esqueceu que tinha sido escaldado e se joga na água fervente. Sabe aquela história de bom demais para ser verdade? Pois é. Até foi verdade, mas durou pouco. Intenso, mas fugaz. Os objetivos mudaram, alguns sentimentos evoluíram, outros minguaram, paralelas destinadas a não se cruzar. No lugar da música, o silencio. O vinho anestesia em vez de inebriar. Cérebro sabe, mas coração besta ainda insiste. Você sente que ainda não está pronto para deixar ir, então continua tentando, sofrendo, desculpando, concedendo e alimentando expectativas e esperanças. Mas, mesmo que ela seja a ultima a morrer, não é imortal. Um dia, você cansa, desiste, desespera…e deixa de esperar. Entende que a situação não vai mudar, quem tem de mudar é você. E você decide ir. Um pouco à francesa, elegante, um pouco covarde, sem adeus, porque o coração poderia colocar tudo (a razão) a perder, e por sentir que não faria mesmo diferença. E vai. De um fôlego só, muitas lágrimas depois, na esperança (ela, de novo), de que o que os olhos não veem, o coração, um dia, vai deixar de sentir. Afinal, tudo acontece por um motivo – o começo, o meio e o fim. 

Uma nova página 

Fui uma adolescente sonhadora, muito sonhadora. Mergulhava nos livros e deles tirava combustível para alimentar meus sonhos. Já não sou adolescente há um tempinho, e quando olho para trás percebo que, nestes anos todos, a vida tem sido muito generosa comigo. Tantas histórias bonitas vividas, muitos sonhos realizados, e algumas coisas que nem ousei sonhar mas que vi se tornarem realidade. Sim, houve sonhos que não realizei, vários deles. Mas, de novo, ao olhar para trás percebo que tudo o que aconteceu, de bom ou de ruim, faz todo sentido. Estou exatamente onde devia estar, como devia estar, com quem devia estar. Perdas e danos, sorrisos e lágrimas, alegria tão grande que fizeram chorar, decepções tão grandes que fizeram duvidar. Se tivesse de escolher uma palavra para definir minha vida, seria mudança. Muitas, de todas as naturezas. Na maior parte das vezes, não foram planejadas, simplesmente aconteceram…mas não por acaso. Eu coloco o pé, Deus coloca o caminho. Mais um passo chegando…bem-vindo seja! 

Sobre a luta das uvas 

Apaixonada por vinhos que sou, aproveitei o feriado para conhecer uma vinícola que fica praticamente no quintal de casa, no pé da serra. No tour guiado, um passeio pelo lugar e explicações sobre todo o processo de produção, desde as vinhas até a hora do vinho ir para a garrafa.

Durante o passeio no (lindo!) vinhedo, o enólogo comentou sobre a necessidade de um solo pobre para a produção de vinhos de qualidade. Segundo ele, as uvas precisam lutar pela sobrevivência (como os gladiadores da Roma antiga), e esse sofrimento é o que traz as características necessárias para produção de vinho: acidez, corpo etc. Solos ricos produzem uvas mais vistosas, mas vinhos medíocres.

Fiquei com isso na cabeça, e não pude deixar de pensar, mais uma vez, que pessoas e vinhos têm mais semelhanças do que sonha nossa vã filosofia. 

Há dias nos quais ficamos abalados com as idas e vindas da vida, e pensamos que bem que Deus (universo, energia criadora, como queira chamar) podia “dar uma aliviada” e acelerar a chegada dos dias de glória, porque dos dias de luta já estamos cansados. 

Mas é justamente nessa luta (aprendizados, chegadas e partidas, dores e alegrias, lágrimas e sorrisos) que é forjada nossa alma, e a qualidade do nosso vinho. São os momentos difíceis que nos fazem buscar lá no fundo a força que nem sabíamos que tínhamos, e tocar em frente. Raízes que buscam os nutrientes para crescer, resistir às intempéries e viver para realizar o potencial que trazemos em nós. Sem toda essa bagagem, talvez acabássemos sendo apenas um rascunho do que poderíamos, um desperdício sem fim.

Além dessa luta toda, é preciso se entregar ao fluxo da vida e entender que tudo tem um momento de plantar e colher, e que não é possível atropelar a natureza e suas estações. A uva tem um momento exato para ser colhida (nem antes, nem depois) para garantir que o vinho seja perfeito. Assim é na nossa vida: as coisas só vão acontecer no momento certo, quando estivermos prontos para cada experiência. Tudo tem uma razão de ser. 

Pessoas que vivem todos os desafios sem fechar o coração nem perder essa estranha mania de ter fé na vida são fascinantes como aqueles vinhos raros, fruto das uvas guerreiras, com cores intensas, aromas que perfumam o mundo, sabores que ficam na boca e na alma. 

Esperar a hora da colheita (e lutar por isso) é uma prova de paciência, não há dúvida, mas pelo (pouco) que consegui entender da vida até agora, vale (muito) a pena.  😉

Sobre vinhos e pessoas

Tintos, rosés, brancos. Da Itália, do Chile, da França. Mais leves ou mais encorpados. Fundo amadeirado, aroma de frutas vermelhas. Jovens ou maduros. Assim são os vinhos, esta bebida deliciosa que deixa a vida mais gostosa.

Morenas, loiras, ruivas. Do Brasil, do mundo, do sul ou do sudeste. Suaves ou intensas. Discretas ou exuberantes. Jovens ou maduras. Assim são as pessoas, estes seres apaixonantes que deixam a vida mais cheia de cor.

Tantas nuances, tantas sutilezas. Tantos sabores, tantos aromas. Harmonizações perfeitas, nas quais um elemento ressalta e valoriza o sabor do outro, sem competição, apenas complementaridade. A arte de combinar os elementos certos, tão simples e tão complexa.

Mesmos ingredientes, diferentes safras, diferentes sensações e experiência. 

Tempos diferentes para maturar. Momentos diferentes para transmitir a mensagem de forma clara e segura. A forma certa de servir, temperatura e pressão. Paciência para se esperar o momento certo de abrir e degustar. 

Diferentes corpos, diferentes texturas. Sensações que permanecem e marcam, outras que desaparecem sem deixar vestígios. 

Sabores tão intensos que assustam no começo, até que se dê tempo ao tempo para que a química e a física façam sua mágica.

Assim são os vinhos, assim são as pessoas.

Um brinde às pessoas e aos vinhos memoráveis que a vida coloca no nosso caminho. Ainda estou para encontrar uma harmonização mais saborosa do que esta.