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Piloto Automático 

5 de novembro de 2015

Este post vai começar de um jeito diferente, com algumas perguntas (bem simples, nem precisa dissertar sobre o tema, rs).

1) Sobre o almoço de ontem, é correto afirmar que:

a) Você comeu qualquer coisa (bem rapidinho) e voltou logo ao trabalho.

b) Você saboreou a refeição com calma, prestando atenção aos sabores, aromes e textura da comida.

c) Almoço, que almoço?

2) Todos os dias, ao ir para o trabalho (ou aula, ou seja lá o que for), você:

a) Faz tudo sempre igual, ao estilo Chico Buarque.

b) Presta atenção ao caminho, notando as sutilezas da paisagem.

c) Quando vê, já chegou ao destino, como num piscar de olhos.

3) Quando sai com seus amigos, você:

a) Dá a eles total atenção e curte o momento, ao vivo e em cores.

b) Verifica o e-mail do trabalho de tempos em tempos. Afinal, nunca se sabe quando o chefe vai precisar de você.

c) Olha o e-mail do trabalho, faz check in no Facebook, posta foto da comida Instagram and vídeo no Snapchat, fala com o/a crush no whats e, nos intervalos, até conversa um pouco com os amigos.

E então? Já tinha parado para refletir sobre essas questões? Como se sentiu com relação às suas respostas? Está satisfeito ou um tanto, digamos, #chateado e sem vontade de cantar uma linda canção? Well, bem-vindo ao clube. Ou, como dizem por aí, #tamojunto.

Já tem um tempo que venho refletindo sobre essa pressa em viver e sobre essa anestesia que parece nos devorar. Como se tivéssemos ligado nosso piloto automático, sem de fato estar vivendo nossas próprias vidas. Quantas vezes estamos “conversando” com alguém sem ouvir o que a pessoa está nos dizendo? Quantas vezes o nosso “interlocutor” nos faz uma pergunta e ficamos com aquela cara de tacho, sem saber o que responder, simplesmente porque não estávamos escutando? Quantas vezes chegamos ao final do dia com aquela sensação de “nossa, o tempo passou voando”, sem lembrar direito o que fizemos durante aquelas horas todas. Quantas vezes pegamos um petisco qualquer para comer enquanto assistimos a um filme e, de repente, percebemos que o pacote está vazio…cadê a comida que estava aqui, que eu comi e nem vi?

Vivemos em um mundo que reforça, e até recompensa, essa pressa toda e esse jeito multitasking de ser. Quem pode ser dar ao luxo de fazer apenas uma coisa de cada vez? Afinal, todo mundo faz isso, né? Fazer, faz. Mas…faz bem? E fazer isso…faz bem? Um número cada vez maior de pessoas está questionando esse estilo de vida e buscando mais equilíbrio, menos ansiedade, mais paz. Eu estou, talvez você esteja, ou alguém muito perto de você pode estar. Exercício físico, terapia, alimentação saudável, apoio espiritual, remédios, hobbies…há várias respostas para a mesma pergunta e, no meio de tudo isso, um tema que ganha cada vez mais força nesta discussão: mindfulness.

A tradução literal do termo é “atenção plena” ou “consciência plena” e trata-se do estado mental alcançado por meio do foco e atenção ao momento presente, de forma consciente, e pelo acolhimento e aceitação dos sentimentos, pensamentos e sensações. Essa prática tem origem em técnicas ancestrais de meditação e passou a ser usada para fins psicoterapêuticos pelo menos desde o século VIII. Nos últimos anos, o tema ganhou destaque por meio do trabalho de Jon Kabat-Zinn, que fundou a Stress Reduction Clinic at the University of Massachusetts Medical School no final dos anos 70.

Parece simples, né? Estar presente no momento atual, e consciente de tudo o que está acontecendo com você naquele momento. Sabe de nada, inocente. Primeiro, eu vivo “viajando” no tempo, seja dando pulinhos no passado para me recriminar (Por que cargas d’água eu fiz isso mesmo, senhoooor?) ou avançando até o futuro para me preocupar (O que será que vai acontecer na reunião da semana que vem???). Racionalmente, sei que não faz sentido nenhum – afinal, o que passou não pode ser alterado, e o futuro…bem, pode ser que nem exista. Mesmo assim, para mim e para outros tantos amiguinhos de planeta, permanecer 100% no presente é um grande desafio. E dá-lhe ansiedade.
Aí vem a segunda parte da equação, que é estar consciente de tudo o que está acontecendo no momento presente, em termos de pensamentos e sentimentos. Você está bem linda/lindo vivendo o aqui e agora quando recebe um e-mail que te deixa “p da vida”. Então, de forma consciente, é preciso entender os motivos por trás da sua chateação. Quais são os sentimentos envolvidos (medo, raiva, frustração) e por que razões você está se sentindo assim? Há mesmo razão para se sentir assim? Quem mandou o e-mail é mesmo um bastardo inglório tentando arruinar seu dia ou apenas fazendo o trabalho do melhor jeito possível para ele/ela naquele momento? É mesmo um ataque pessoal ou apenas uma abordagem um pouco mais ríspida causada por uma situação especifica?

Viu só como não é fácil? Para mim, ariana esquentadinha, essa presença consciente exige um enorme esforço. Mas, quando consigo (sim, tenho tentado!!!), isso reduz a ansiedade. Os problemas não desaparecem, mas consigo lidar com eles com menos sofrimento. Obvio, tem horas em que o pavio curto fala mais alto e a tal da mindfulness sai de fininho (antes que sobre para ela também, rs).
Uma das “bases” da mindfulness é a meditação, uma vez que ajuda a mente a criar os “músculos” necessários para esta mudança de padrão: foco, clareza, concentração. O famoso “respira, inspira, não pira” nunca fez tanto sentido. Tenho vários amigos praticando meditação e todos têm historias muito positivas para contar. Eu sempre relutei porque essa historia de ficar “só” parada, respirando e limpando a mente de distrações parecia algo totalmente impossível para alguém tão agitado quanto eu. Recentemente, uma dessas amigas (que trouxe mindfulness para sua vida depois de um curso nos EUA) me indicou um aplicativo (sim, minha gente, para o celular!) que tem meditações guiadas bem boas para iniciantes. A primeira que fiz foi um fiasco espetacular – eram só 8 minutos, mas parei no meio porque lembrei de algo que precisava fazer. Podem rir, está liberado. Teimosinha que sou (persistente, talvez?), tentei de novo (coisa mais curta, 3 ou 5 minutos), e está melhorando. Não, ainda não transcendi nem fui transportada para outros níveis de consciência, mas prestar atenção na respiração, de fato, desacelera. Ah, descobri que tudo bem se a gente pensar durante meditação (achava que não podia de jeito nenhum, affff), desde que a gente traga o foco de volta à respiração quando perceber que isso acontece. Aos poucos, acho que vou pegar o jeito. Não dava para chegar ao nível “Buda“ depois de alguns minutos de prática, certo? Tudo bem não ser perfeito…

Eaqui tenho gancho para dois outros elementos importantes relacionados com mindfulness: compaixão (compassion) e gentileza (kindness) – para com os outros e para consigo.

A parte do para com os outros até é fácil de entender (não necessariamente de colocar em prática, rs), mas quando se trata de nós mesmos, geralmente o chicote estala sem dó nem piedade. Para mim, sempre foi difícil. A minha barra é sempre mais alta comigo do que com os outros, sou sempre a crítica mais feroz de mim mesma. Então, toca a exercitar para mudar, né? Primeiro, seja gentil com você. Reconheça seus sentimentos e pensamentos (todos mesmo) como eles são, sem julgar ou criticar. Entenda que esses sentimentos e pensamentos não definem você, mas apenas o momento pelo qual você está passando. 

Você não é uma idiota distraída sem salvação, você apenas esqueceu de pegar a conta que precisa pagar. Você não é uma besta incompetente, apenas cometeu um erro em um relatório. Tenha compaixão por você, ser humano passível de erros, e trabalhe para melhorar o que pode ser melhorado (isso é o que diferencia compaixão de pena ou empatia: o desejo de fazer algo para ajudar/mudar a situação).

Se isso soar muito zen/esotérico para você, tudo bem. Eu também achava que isso era loucura e que não tinha aplicação prática, mas me dei a chance de experimentar. Também estou fazendo exercício, quero melhorar a alimentação (esse será o grau máster de evolução, porque continuo comendo besteiras como se não houvesse amanhã, afffff), sigo firme na terapia, experimentei florais e shiatsu. Depois dos 40, algumas fichas caíram, e resolvi tomar vergonha na cara (antes tarde do que nunca). Não quero mais ser escrava da minha ansiedade, quero mais qualidade de vida, quero explodir de alegria e não de raiva. Fácil não é, mas tenho certeza de que é possível. No final das contas, talvez loucura seja continuar fazendo as mesmas coisas e esperar resultados diferentes, né?

E sim. A trilha do post é uma seleção de mantras. Mais um dos itens do projeto “por uma Zeila melhor”. 😉🙏🏻

Image: Elephant Meditation

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From → Proseando

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