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Pollyanna tem dor de cabeça 

11 de outubro de 2015

Na adolescência, li e gostei da história de Polllyanna, a menina que jogava o “jogo do contente”, buscando ver algo de positivo mesmo nas situações mais complicadas da vida.
Sempre tive horror a mimimi, então procuro viver a vida olhando o copo meio cheio, com otimismo e tal. Ocorre que nem eu, nem a Pollyanna, nem mesmo Jesus ou Buda estão/foram felizes o tempo todo. 
Todos temos aqueles dias difíceis, nos quais o que mais queríamos na vida era ficar embaixo das cobertas, escondidos de tudo e de todos. Temos medo e dúvidas. Temos dor de cabeça e cólica. Temos raiva e vontade de dar um belo chute na canela daquele ser chato que insiste em atazanar nossa vida. Temos mau humor mastodôntico, daqueles em que gostaríamos de mandar a pessoa para aquele lugar em vez de dar bom-dia.
Temos dias nos quais o cabelo não se ajeita e as olheiras fazem inveja a qualquer panda. Fazemos besteira e depois ficamos remoendo as pataquadas (por que, senhor???!!). Temos vontade de dizer “não, nem a pau Juvenal, nem &@$%#}€, mas acabamos dizendo sim”. Temos vontade de dizer “nossa amiga, estou mal, me dá um abraço?” e acabamos dizendo “comigo está tudo ótimo!”.
Temos vontade de jogar tudo para o alto, mas vamos adiando porque sabemos que vamos ter de catar tudo depois. Temos necessidade de carinho, mas não demonstramos porque, né, as pessoas podem descobrir que somos frágeis. 
Essa cultura da felicidade, independência e instantaneidade nos faz ter vergonha de mostrar que não somos super heróis. Mulher Maravilha também tem TPM e tem de ralar na academia para manter o corpão, amiguinhos. No final, somos todos apenas humanos, demasiadamente humanos. 
Nosso Facebook/Instagram/Snapchat/sabedeusmaisoque refletem apenas uma parte de nossas vidas, a mais iluminada, e tudo bem. Não estou dizendo que devemos começar a postar fotos com o rímel borrado e a hashtag #partiuchoraratédormir ou #malditoinfernoastral. O problema é que isso pode nos causar uma falsa sensação de que a vida dos outros é perfeita, e que só a nossa grama tem ervas daninhas aqui e ali. 
Da minha parte, triplamente ariana que sou, abrir a guarda e assumir que 1) não sou perfeita 2) gosto de carinho apesar de morrer negando 3) ainda tenho mais perguntas do que respostas não é fácil, mas é libertador. Sim, sou otimista, acho que tudo vai dar certo e que a vida é linda, mas também tenho meus momentos “droga de vida, que saco, me deixa quieta se não eu mordo”. Dias de chuva e sol, de silêncio e de cantar alto, dias de luta e dias de glória. Na dúvida, melhor não perguntar: vai logo abraçando.
Que a gente se permita viver por inteiro, com todas as nossas facetas, com a dor e a delícia de sermos quem somos. Que reconheçamos o direito do outro de ser inteiro. E que não percamos a coragem de continuar tocando em frente. Afinal, dor de cabeça passa, e ninguém disse que precisa ser perfeito para ser feliz.

Imagem: reprodução Pinterest

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From → Proseando

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