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Sobre a luta das uvas 

9 de fevereiro de 2016

Apaixonada por vinhos que sou, aproveitei o feriado para conhecer uma vinícola que fica praticamente no quintal de casa, no pé da serra. No tour guiado, um passeio pelo lugar e explicações sobre todo o processo de produção, desde as vinhas até a hora do vinho ir para a garrafa.

Durante o passeio no (lindo!) vinhedo, o enólogo comentou sobre a necessidade de um solo pobre para a produção de vinhos de qualidade. Segundo ele, as uvas precisam lutar pela sobrevivência (como os gladiadores da Roma antiga), e esse sofrimento é o que traz as características necessárias para produção de vinho: acidez, corpo etc. Solos ricos produzem uvas mais vistosas, mas vinhos medíocres.

Fiquei com isso na cabeça, e não pude deixar de pensar, mais uma vez, que pessoas e vinhos têm mais semelhanças do que sonha nossa vã filosofia. 

Há dias nos quais ficamos abalados com as idas e vindas da vida, e pensamos que bem que Deus (universo, energia criadora, como queira chamar) podia “dar uma aliviada” e acelerar a chegada dos dias de glória, porque dos dias de luta já estamos cansados. 

Mas é justamente nessa luta (aprendizados, chegadas e partidas, dores e alegrias, lágrimas e sorrisos) que é forjada nossa alma, e a qualidade do nosso vinho. São os momentos difíceis que nos fazem buscar lá no fundo a força que nem sabíamos que tínhamos, e tocar em frente. Raízes que buscam os nutrientes para crescer, resistir às intempéries e viver para realizar o potencial que trazemos em nós. Sem toda essa bagagem, talvez acabássemos sendo apenas um rascunho do que poderíamos, um desperdício sem fim.

Além dessa luta toda, é preciso se entregar ao fluxo da vida e entender que tudo tem um momento de plantar e colher, e que não é possível atropelar a natureza e suas estações. A uva tem um momento exato para ser colhida (nem antes, nem depois) para garantir que o vinho seja perfeito. Assim é na nossa vida: as coisas só vão acontecer no momento certo, quando estivermos prontos para cada experiência. Tudo tem uma razão de ser. 

Pessoas que vivem todos os desafios sem fechar o coração nem perder essa estranha mania de ter fé na vida são fascinantes como aqueles vinhos raros, fruto das uvas guerreiras, com cores intensas, aromas que perfumam o mundo, sabores que ficam na boca e na alma. 

Esperar a hora da colheita (e lutar por isso) é uma prova de paciência, não há dúvida, mas pelo (pouco) que consegui entender da vida até agora, vale (muito) a pena.  😉

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