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50 tons de azul

26 de junho de 2015

Depois de dias deliciosos em Roma, era hora de pegar um trem para Nápoles e, de lá, seguir para Sorrento, lugar escolhido para encerrar meus dias de dolce far niente na Itália.

É difícil descrever o tanto que este lugar é lindo. O azul do céu encontrando o azul do mar é uma imagem daquelas que deixam a gente sem fôlego e sem palavras. Ao fundo, o Vesúvio reina imponente. O vulcão dorme há vários anos, mas está ativo. Tomara que durma como um bebê para sempre. 

A cidade é charmosa, com ruas estreitas cheias de lojinhas, igrejas e restaurantes. A praia (chiquetosa) fica ao pé da encosta, e a caminhada para chegar lá é puxada. Outra opção é usar o elevador no centro da cidade, mas aí você perde a vista linda (bora andar, faz bem para as pernas).

Entre as tantas delícias do lugar, destaque para os produtos feitos com os famosos limões da região: sorvete, granita, balas, biscoitos, chocolates e, claro, o onipresente e delicioso limoncello, um licor que costuma ser tomado como digestivo. Eu, que adoro limoncello, curti muito experimentar alguns direto da fonte, nas lojas de produtores locais. 

Comi muito bem por lá (os frutos do mar são fresquinhos e muito saborosos). Os dois restaurantes abaixo são os que mais gostei. No primeiro, além da boa comida, uma vista deslumbrante. No segundo, comi a melhor pasta da viagem, com camarões e um molho de limão de chorar de tão bom. 

http://www.circolodeiforestieri.com/#menu-item-1894

http://www.ilpozzoristorante.it/default.aspx

Aproveitei para conhecer outros lugares de sonho, Costa Amalfitana e Capri.

O passeio para a Costa foi feito de van, pela estrada conhecida como “Mamma Mia road”, por conta do número de curvas (mais de 1.000!) e também pelo tanto que é estreita. Às vezes, a van tinha de parar para outra passar. Tudo ali, na beirada do despenhadeiro. Passeio com emoção, rs.

Nada do que tinham me contado sobre o lugar tinha me preparado para a beleza daquelas paisagens. Nem fiquei com medo da estrada, porque não tinha espaço para outra emoção que não fosse encantamento. Pequenos vilarejos encravados na montanha, e aquele mar sem fim brilhando ao sol. Deus estava muito inspirado quando desenhou aquele pedaço do mundo.

O passeio incluía três paradas: Positano, Amalfi e Ravello, sendo que conhecer a primeira delas era meu sonho desde que vi o filme Sob o Sol da Toscana, então esta era a cidade que me interessava mesmo conhecer. As outras seriam bônus. Pois bem, logo ao chegar em Positano, desabou um temporal daqueles completos, com chuva forte, vento, raios e trovões. Com isso, o jeito foi achar um lugar para tomar um café, porque explorar as ruas íngremes com um tempo daqueles não ia dar. Fuém, fuém, fuém. #fail

Não vou mentir dizendo que não fiquei decepcionada, porque fiquei. Mas tratei logo de me animar porque, afinal, ficar reclamando não ia adiantar nada, né? Nem sempre as coisas saem como a gente quer, e tudo bem, vida que segue.

Depois da chuva, vem o sol, e foi exatamente isso o que aconteceu…logo que saímos de Positano, a chuva parou e, aos poucos, o céu limpou e o sol brilhou lindo o resto do dia, para noooossaaa alegria, já que ainda havia duas lindas cidades para conhecer.

A segunda parada foi na linda Amalfi, com sua deslumbrante catedral em estilo bizantino, também chamada de Duomo Amalfitano. A construção é o ponto central da pequena e charmosa comuna, com ruelas coloridas repletas de turistas, e a pequena praia com aquele marzão lindo. Segundo uma lenda antiga, Hércules construiu esta cidade quando Amalfi, a ninfa que ele amava, morreu, porque ele queria que ela fosse sepultada no lugar mais lindo do mundo. Ele deu o nome da amada à cidade como forma de imortanizá-la. Não é à toa que aquele lugar é tão romântico, misericórdia.

Subindo sempre, chegamos na cidade mais alta da costa, Ravello, uma pequena joia que foi a grata surpresa do passeio. Pouco tinha ouvido falar deste lugar, e me apaixonei quando vi aquela igreja branca na praça, aquela vista linda dos paredões verticais e aquela azul absurdo do mar. É um lugar de sonho, parece uma pintura. 

Para deixar tudo ainda mais mágico, de julho a setembro a cidade (cujo “apelido” é cidade da música) realiza um festival de música clássica em homenagem ao grande compositor Wagner, que passou passou algum tempo por lá, chegando a compor sob inspiração dos jardins da Villa Rufolo. Quando estive lá, visitei a villa e vi o palco já quase pronto para receber os artistas que encherão de música aquele paraíso. Fiquei pensando no tanto que deve ser mágico assistir a um concerto com uma vista daquelas, e a cidade entrou na lista dos lugares “vale a pena ver de novo”. Da próxima, vou sincronizar as férias com o festival de música (claro, aproveitarei para passar por Positano, sem chuva, toc toc toc). Voltei para Sorrento encantada com tanta beleza, grudada na janela para não perder nem um segundo daquele cenário de sonho.

No dia seguinte, o destino foi a famosa e badalada ilha de Capri. Uma curta viagem de barco, saindo da Marina de Sorrento. Logo de cara, as rochas Faraglioni, símbolo da ilha, impressionam. A natureza e suas obras-primas. 

Desembarcando na ilha, o passeio começou lá no alto, em Anacapri, outra pequena comuna da ilha, independente administrativamente da “vizinha” mais famosa, Capri. Ambas pequetuxas, mas com seu próprio prefeito e seu próprio glamour. 😀

Primeira constatação sobre Anacapri: linda de morrer, benzadeus. Segunda constatação: venta muito (mesmo) lá em cima e, na sombra, estava friozinho. Nada que um cappuccino não resolva. Uma das atrações do lugar é um elevador daqueles de cadeira (tipo estação de esqui) que leva os corajosos lá para o alto mais alto da ilha. Com aquele vento todo, não obrigada! Preferi bater perna até achar a escadaria grega, com uma (desculpa a redundância, mas tenho de ser fiel à verdade) vista deslumbrante da marina lá embaixo.

Descendo o morro, era hora de conhecer a Capri dos ricos e famosos, com sua badalada (e minúscula) piazzetta, lojas de grife e muito charme. Pensa num lugar phyno, aumenta um pouco o grau de finesse e pronto, esta é Capri.

O que eu mais gostei lá foram os Jardins de Augusto, com suas cores e (sim, de novo!) uma vista matadora do mar Tirreno, incluindo as Faraglioni. Suspiros, suspiros, fotos, fotos, alegria, alegria. Na volta para a praça, comprei uma granita (a raspadinha italiana, rs) de limoncello para refrescar, porque nesta altura da ilha o calor estava de matar. 

O dia passou voando em meio a tanta beleza, e logo era hora da voltar para a Marina Grande para pegar o barco até Sorrento. A ilha faz jus à fama de beleza e glamour, sem sombra de dúvida. 

Ir para a costa azul da província de Salerno depois de passar uns dias em Roma foi uma boa escolha. A cidade eterna é super agitada, numa vibe “go, go, go” que inspira ação e movimento.

Chegando em Sorrento, pude sentir claramente a mudança de ritmo, uma cadência mais suave ditada pelas ondas do mar. As belezas da natureza ajudam a desacelerar e relaxar, o que me permitiu ficar quietinha, apenas admirando o visual e pensando na vida. E aquele azul todo, do céu e do mar, me abraçou e foi um bálsamo para minha alma, uma fonte de energia positiva que trouxe comigo, no meu coração.

As férias estão acabando, uma nova (e incerta) fase vem pela frente. A vida, sábia, sabe a hora de enviar o sol e a chuva, a calmaria e a tempestade. Tudo é cíclico, tudo tem razão de ser. E uma coisa é certa, não importa o tamanho da tempestade, o sol vai voltar a brilhar. A gente só precisa acreditar, e parar de lutar contra, aceitando a chuva e entendendo que precisamos dessa água toda para lavar a alma e preparar o terreno para o novo começo. Benditos os momentos de chuva que nos fazem receber o sol com um sorriso no rosto. Benditos os dias cinza que amplificam a beleza da volta do azul.

   
                                                                     

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From → Proseando, Viajando

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