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Sabores da Toscana

23 de junho de 2015

Minha história de amor pela Toscana começou em 2012, quando passei alguns dias viajando por lá com amigos queridos. 

Sob o sol da Toscana | 365 páginas em branco

https://365paginasembranco.wordpress.com/2013/03/14/sob-o-sol-da-toscana/

Estava com saudade de toda aquela beleza e de todos aqueles sabores, então resolvi fazer um passeio de um dia por lá nestas férias.

Saímos de Roma logo cedo, rumo ao Vale D’Orcia. A primeira parada foi a linda Pienza e suas ruelas de pedra, ruas com nomes inspiradores (Rua do Beijo, Rua do Amor) e vistas de tirar o fôlego. O dia estava nublado mas, mesmo assim, a lindeza é muito grande. Tivemos tempo livre para passear por lá, e eu aproveitei para tomar um café e, de quebra, comi o melhor corneto (uma espécie de croissant) da vida, quentinho, recheado de creme e coberto com açúcar de confeiteiro. Sério, poderia casar com aquele doce. 

Depois, fomos conhecer a loja de cerâmica da Linda, que fica praticamente incrustada numa caverna, onde podemos ver parte dos túneis que percorriam a cidade e, também, a mais antiga cisterna de Pienza. Linda não fala inglês e nosso guia traduzia o que ela dizia. Fácil perceber, mesmo sem tradução, a paixão dela pelo lugar e por seu trabalho, o que se reflete na beleza das peças que ela produz.

http://www.ceramichebai.it/Eng/homeEng.html

Deixamos Linda e sua cerâmica para traz e fomos fazer uma degustação de queijo pecorino. Pois é, nada fácil, mas a pessoa tem de ser corajosa e enfrentar, né? 😀

O queijo pecorino é produzido com queijo de ovelha, e dizem que é tão saboroso porque o pasto dos bichinhos lá nas montanhas inclui ervas aromáticas que, de certa forma, “temperam” o leite. A degustação incluiu queijos com três diferentes tempos de maturação (do mais jovem para o mais curtido), e tanto a textura quanto o sabor e aroma vão ficando mais acentuados. Também provamos uns tipos de salame e um balsâmico trufado de comer rezando. Tudo muito, muito bom. 

Pegamos a (linda!) estrada de novo para irmos até a fazenda onde almoçaríamos. Difícil descrever a felicidade de rever aqueles mosaicos verde-dourado de novo.

Quando chegamos na Podere Spedalone, fomos recebidos pelo dono, Alessandro, com um aperto de mão firme e sorriso aberto. Ah, sim, outro apaixonado pelo que faz, a gente logo percebe. O lugar é lindo, exatamente como a gente imagina que uma propriedade na Toscana seria, com uma sede antiga, de pedra, olivais e campos a perder de vista. 
Já havia vinho (branco, toscano, e tinto, um Chianti reserva) nos esperando, e logo começou a “tortura”. Andrea, nosso guia, já tinha nos avisado que o menu do almoço é sempre surpresa, porque a comida é feita com o que de mais fresco houver por lá, tudo orgânico. 

O primeiro prato foi uma torta de legumes com molho de açafrão e pecorino. Depois, pasta caseira com ricota e flor de abóbora. O prato principal foi uma receita antiga e tradicional chamada “Tonno del Chianti”. Apesar de ter atum no nome, o prato é, na verdade, feito de carne de porco (o ombro) marinada em vinho branco. Alessandro nos contou que a receita começou a ser preparada na época em que os arrendatários tinham de dar metade de tudo o que produziam para os donos (a melhor metade). Para eles, sobrava o ombro do porco, que era cozido com o vinho que estava começando a virar vinagre, e conservado na própria gordura, que subia depois do cozimento formando uma camada de proteção para a carne. No fim das contas, o atum que na verdade é porco foi servido (sem um pingo de gordura, bem macio) com verdura refogada (folhas de couve-flor) e estava absolutamente delicioso! 
Para encerrar esse banquete, faltava a sobremesa, que foi gelato de baunilha (artesanal, feito na fazenda) com azeite extra-virgem de oliva (primeira prensagem) e pimenta rosa. Confesso que achei a mistura um tanto estranha, mas eu adorei! O amarguinho do azeite, o doce do gelato e o picante da pimenta combinaram muito bem. A refeição foi temperada com boa conversa e risadas, o que tornou tudo ainda mais especial.
Depois do almoço, pudemos explorar um pouco a propriedade, que também é B&B, e juro que a vontade que dá é ficar por lá mesmo. Paraíso define. No entanto, logo veio o cafezinho, biscoito caseiro (feito com azeite de oliva) e já era hora de dizer arrivederci e seguir nosso caminho. 

http://www.poderespedalone.it/

Chegando a Montalcino, subimos até a torre da fortaleza para ver o vale do alto. Redundante dizer que a vista é linda demais (mesmo com nuvens negras ameaçando chuva), mas direi mesmo assim, rs. 

De lá, seguimos para a vinícola Cordella, onde fomos recebidos pela Madalena, uma italiana cheia de energia que, segundo o nosso guia, é uma força da natureza. Nos primeiros minutos de conversa a gente entende essa definição. Ela toca o negócio junto com o pai (a quem ela chama carinhosamente de “nasty man), e vai contando suas histórias com aquele sotaque carregado que deixa tudo mais interessante. Eles estão construindo uma piscina (o local também é uma pousada), o que na Itália parece ser uma tarefa hercúlea, ao menos para quem, como Madalena, quer fazer tudo certo sem dar propinas e outros que tais. Segundo ela, it is a disasterrrrrrr, mas a piscina vai estar pronta (e linda) em setembro. 

Madalena nos mostrou as vinhas novas (as uvas produzidas lá são do tipo sangiovese grosso) e, depois, nos mostrou as instalações e explicou todo o processo de produção. Tudo feito com muito cuidado e capricho, o que resulta em um vinho cuja qualidade vem sendo reconhecida pelo mercado. O Brunello 2010 foi premiado e é a “menina dos olhos” dessa mulher forte e (sim!) apaixonada pelo que faz. Ela também mostra, com orgulho, o vinho rosato que é criação/inovação dela, um vinho “que as mulheres gostam”. Juro que fiquei com vontade de voltar em setembro para ajudar a colher as uvas. Se bem que a Madalena parece ser uma chefe bem exigente, o que combinado com minha falta de jeito para tarefas do campo, seria um total disasterrrrrrr. Deixa pra lá. 😁

Depois dessa conversa boa, chegou a hora da degustação (oh glória!). Para acompanhar os vinhos, alguns petiscos: salame produzido com carne de porco da raça toscana cinta senese (eles têm uma faixa/cinta de pelos brancos, daí o nome), pão caseiro com azeite de oliva (produzido por eles) e com balsâmico de vinho Brunello. Dá para ficar aqui para sempre?
Começamos pelo rosato, criação da Madalena. Eu, que sou bem fã de vinhos rosé, acho que ela fez um gol de placa ao usar as uvas sangiovese grosso para produzir este outro tipo de vinho, mais leve e de cor linda. Obviamente, trouxe uma garrafa para conhecer o Brasil.

Depois, passamos para o “príncipe” dos vinhos, o rosso de Montalcino, um tinto que precisa ficar nos barris de carvalho por oito meses até estar pronto para ser engarrafado. Mais três meses na garrafa e o príncipe está pronto para fazer os apreciadores de vinho felizes. Eu fui bem feliz, garanto.

Finalmente, chegamos ao ponto alto da degustação, o “rei” dos vinhos, sua alteza o Brunello de Montalcino. Provamos duas safras, 2009 e a premiada 2010, ambos deliciosos. Os brunellos precisam ficar nos barris por 24 meses, e outros seis na garrafa antes de estarem prontos para o consumo. Com isso, são mais encorpados e complexos. Como prefiro os tintos mais leves, acabei trazendo o príncipe rosso para casa (com todo respeito pelo rei, que fique claro). 

Ah, já ia me esquecendo. A Cordella também produz grappa, uma espécie de cachaça de uva, e pudemos degustar as duas variedades que eles produzem. Com os seus 43% de teor alcóolico (o vinho tem 14%), parece fogo líquido. A qualidade é inquestionável, mas vou continuar no vinho mesmo. 😊

Na despedida, agradeci a Madalena pela acolhida e parabenizei pelo trabalho que ela estava fazendo ali. Sorrindo, ela agradeceu e disse que tudo é uma questão de se trabalhar com amor e paixão, e que se for apenas por dinheiro não faz sentido. Sabedoria toscana que tocou fundo no meu coração. 

http://www.cordellavini.it/vigneti-en.php

Dizem que tudo que é bom dura pouco, e logo estávamos na estrada de novo, voltando para Roma e deixando a exuberante Toscana para trás. Mas, pensando bem, essa coisa de tempo é tão relativa…foi apenas um dia, mas neste único dia vivi experiências inesquecíveis e conheci pessoas apaixonantes. Durou o tempo suficiente para ficar para sempre na minha memória e no meu coração, e só aumentou meu amor por essa região que é, literalmente, um banquete para os sentidos. Algo me diz que essa história ainda terá muitos outros capítulos. 😉

   
                               

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From → Proseando, Viajando

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