Skip to content

A bagagem de cada um

29 de abril de 2015

Nas minhas primeiras viagens, as malas eram sempre pesadas, lotadas até a tampa. Sabe aquela coisa de “mas vai que eu preciso”, “vai que chove”, “vai que esquenta”. Nessas, se bobeasse até um unicórnio lilás acabava indo. 😝


Resultado: aquele perrengue danado para camelar com as malas no aeroporto, no trem, no metrô. E, claro, algumas coisas sequer saíam da mala. Arrumar espaço para as compras da viagem era outra ginástica. Por que, Senhor? 

Não vou dizer que já aprendi a viajar super leve, mas melhorei bem. Aprendi a cortar os exageros (o unicórnio nunca mais viajou, rs) e entendi que se precisar de algo que não levei, sempre dá para comprar por lá. Mas, ainda assim, ando mundo afora com minha mala atrás de mim.
Assim é nas viagens, assim é na vida. Todos carregamos nossas bagagens. Umas mais leves, outras bem pesadas. Alguns de nós já evoluíram e levam consigo apenas uma mochila com o essencial. Outros, por sua vez, carregam várias malas pesadas, algumas sem rodinha, daquelas que tornam a caminhada mais difícil.
O ponto é, ninguém que cruza o nosso caminho está “só com a roupa do corpo”. Todos têm um passado, cicatrizes, fantasmas. Alguns lidam melhor com isso, já fizeram as pazes com o que passou e, por isso, seguem faceiros com sua mochila levinha nas costas, com lembranças e gratidão. 
Para muitos, porém, a bagagem continua pesada e inclui de tudo um pouco (talvez até um unicórnio ou um cérbero). Cada interação que temos é com a pessoa e com sua história, suas memórias, seus medos. Muitas vezes, quem responde ou toma as decisões é justamente a bagagem. Ecos de experiências passadas que fazem tanto barulho que conseguem afetar o presente e o futuro.
Por isso é tão importante ser gentil com todos que cruzam o nosso caminho. Cada pessoa é resultado do seu caminho e de sua luta, da qual geralmente sabemos pouco ou nada. É aquela história: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.
Então é isso. Que saibamos entender e respeitar a bagagem dos nossos companheiros de viagem. Que consigamos entender que existe muito mais em cada um de nós do que os olhos podem ver e do que as palavras contam. Se conseguirmos respeitar em vez de julgar (mesmo sem entender), talvez consigamos aprender juntos como reorganizar as bagagens, abrindo espaço para os presentes que a vida tem para dar.
Trilha: Memórias, Banda Malta
Imagem: reprodução Pinterest
Anúncios

From → Proseando

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: