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Coisas de família

31 de agosto de 2014

Hoje minha mãe fez o prato favorito da família para o almoço de domingo. Nossa polaquice favorita: charutos de repolho com arroz e carne de porco. Desde que me entendo por gente ela faz esse prato, e toda a família se esbalda. É uma iguaria que ela só faz de quando em quando, porque dá um trabalho danado, principalmente desfolhar os repolhos, depois enrolar, depois cozinhar no vapor. Quase um ritual.

Na hora de atacar, minha mãe é sempre a última a se servir. Hoje não foi diferente. Ao abrir a panela, mandou um “vocês têm que tirar com cuidado para não furar os que ficam embaixo”. Me peguei rindo porque isso acontece todas as vezes que ela faz os charutos. E ela sempre reclama, e a gente nunca aprende.

Fiquei pensando sobre essas e tantas outras coisas de família que diferenciam um clã de outro. Aqueles costumes e manias que resistem ao tempo e definem o jeitão de cada “gangue”.

Por aqui, cada um de nós sempre teve seu lugar à mesa e o lugar favorito no sofá. Tínhamos nossas xícaras favoritas. Eu chegava ao requinte de ter a “minha” colher. Cada um sempre escolhia as mesmas partes do frango, e sempre rolava briga pelas folhas branquinhas da salada de alface. Eu e meu irmão tínhamos uma disputa forte pelas sementes de chuchu (ainda rola, se bobear, rs.). Sempre gostei do miolo da broa, e minha mãe sempre come a primeira fatia com a casca. Sonecas depois do almoço. O amor aos animais, em especial aos cachorros.

Não por acaso, essas “marcas de nascença” são quase todas relacionados à comida, porque é à mesa que a família costuma se reunir. Claro, também tem o outro lado da moeda, com aquelas manias irritantes que são faíscas para aquelas rusgas clássicas. Quem nunca?

O fato é que me senti feliz hoje ao me dar conta dessa história compartilhada a tanto tempo, e que me faz sentir, literalmente, em casa.

Bom fazer parte de um time. Bom saber que as raízes são profundas e ajudam a ficar em pé. Bom ver o Vini fazendo parte dessa história e compartilhando a vida com a gente. Emocionante ver como ele espelha características do meu irmão e da cunhada, e também dos meus país, e ver como também vai criando seus rituais e rotinas. Gostoso perceber que ele também tem um pouco de mim, como a mania de ouvir repetidas vezes a música que gosta e a simpatia pelos livros. Quem sai aos seus…😉

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From → Proseando

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