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O chefe do clã

17 de outubro de 2013

Engraçado como cabe tanta coisa em três letras. Mãe e pai tem só três letras e carregam todo amor do mundo.

Já escrevi sobre minha mãe, um ser pequeno em tamanho mas grande em todo o resto. Leoni, ou vó Nini.

Meu pai faz aniversário hoje. Para variar, não estou por perto. O nome é Vitório, mas todo mundo chama de Vito. O Vini chama apenas de vô, e ele se derrete.

Quem vê, com aquele bigode e cara fechada, vai achar que é bravo. Quem conhece, sabe que é debochado e de boa. Bem de boa. Não gosta de briga. É quietão e resmungão, o que às vezes irrita minha mãe, rs. Gosta de jogar seu truco com os amigos, dormir bastante, ir na missa, comer doce, e corujar o neto. Lembro do primeiro Natal do Vini com a gente, quando ele conseguiu driblar o batalhão de avós, tios e tias e pegou ele no colo. Parecia que estavam os dois num mundo só deles.

Ele sempre teve jeito com criança, apesar do jeito fechadão. O neto faz ele de gato e sapato, e ele adora. Se divertem horrores juntos. Para desespero geral e orgulho dele, o Vini gosta de ver o Chaves e ri junto daquelas trapalhadas que meu pai sabe de cor. Juntos, são duas crianças travessas.

Em casa, só nós quatro, sempre formamos duplas: meu irmão e minha mãe os mais extrovertidos, falantes, briguentos. Eu e meu pai mais na nossa, para dentro, fugindo da briga. Não que sejamos fáceis, longe disso. Em uma família de pimentas, nós dois somos menos ardidos, rs.

Quando eu era criança, ele esteve à beira de um abismo profundo, mas deu um passo atrás antes de cair. Nunca vou agradecer o suficiente por isso.

Do jeito fechado e durão dele, sempre fazia minhas vontades e sempre esteve do meu lado, mesmo quando fiz escolhas bem diferentes daquelas que ele esperava para a filha.

Quando era adolescente, eu colecionava uma revista teen chamada Carícia. Sempre morei no sítio, então tinha de comprar na banca da cidade, em uma das poucas vezes que ia para lá durante o mês. Não foi uma nem duas vezes que fiz o pobre homem pagar o mico de trazer a revista para mim. Só fico pensando no bico do bigodudo pedindo a revista. Ele sempre dizia que não ia trazer, mas sempre trazia. Esse é o meu pai. O do contra mais a favor que conheço.

20131017-190742.jpg

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From → Proseando

2 Comentários
  1. Célia permalink

    Até chorei. De alegria por você ter o seu bigodudo. E de saudade do meu bigodudo, que está fazendo festa no Andar de Cima, com certeza!

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