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Shakespeare & Co

17 de setembro de 2013

Amo livros. Muito. Muito mesmo. Por isso, livrarias estão entre meus lugares favoritos no mundo. Adoro passear entre os corredores, tocar os livros, sentir o cheiro do papel, descobrir tesouros. Posso até sair sem sacolinha de uma loja de roupas, mas dificilmente saio de uma livraria sem uma aquisição (ou várias). Cada um com seus vícios, certo?

Há uma livraria que costuma aparecer como locação em filmes sobre Paris. Uma portinha pequena, um nome inspirador, uma história fascinante. Cada vez que via a danada nos filmes, pensava que seria muito bacana conhecer o lugar.

Na primeira viagem, curtinha, não rolou. Na segunda, the dream came true. Do melhor jeito, por acaso, quase em um tropeção, durante uma caminhada noturna em direção à Notre Dame. Uma olhada para o lado e, tadááá, lá estava a Shakespeare and Company.

Naquela noite, havia um evento acontecendo. Era a Gatsby’s night, a casa estava cheia, tinha jazz ao vivo rolando. Sabe criança em loja de brinquedo? Era eu.

Como tínhamos reserva para o jantar, dei uma olhada rápida e fui embora, na certeza de voltar. E voltei, depois de tomar o café da manhã no Café de Flore. Chegando lá, parecia uma boba rindo à toa. Achei que a música que estava tocando (Cheek to Cheek) não podia ser mais perfeita para o momento. Comecei a explorar o lugar cantarolando “heaven, I am in heaven”… ❤🎶❤

O lugar é pequeno e antigo, com cantinhos charmosos a se descobrir. Subindo as escadas, a sessão infantil, um cantinho onde os clientes deixam bilhetes e uma sala de leitura na qual uma da janelas mostra um pedacinho da Notre Dame. Os livros dessa sala estão ali à disposição dos visitantes, para leitura no local. Quando os sinos da igreja começaram a tocar, pensei que a expressão “priceless” se aplicava perfeitamente ao momento.

Pesquisando, descobri que essa é a segunda Shakeaspeare and Company aberta em Paris. A primeira é aquela citada por Hemingway no livro “Paris é uma Festa”. O lugar era um dos pontos de encontro da “lost generation”, da qual Hemingway fazia parte. A dona, Sylvia Beach, foi uma grande incentivadora e amiga dos escritores que buscavam em Paris seu refúgio. A loja foi fechada em 1940, durante a ocupação alemã em Paris, e nunca foi reaberta.

A segunda loja (a atual) foi aberta com outro nome, em 1951, por George Whitman, que acabou mudado o nome em homenagem à primeira livraria. Rapidamente, a loja se tornou “point” de boêmios e escritores. Dessa vez, os da “beat generation”.

Para nossa sorte, a livraria continua lá, firme e forte, de braços abertos aos amantes dos livros. Lá estão os grandes clássicos, mas também os best sellers atuais. Tudo em inglês, o que é um conforto para os estrangeiros que não dominam o lindo idioma francês. Na hora de pagar, te perguntam se você quer o carimbo da loja no livro. Podem me chamar de brega, mas meus dois livros (resolvi que já era tempo de ler algo de Hemingway) vieram para o Brasil devidamente carimbados. 😊

Para terminar o post, vou usar uma das frases que li em um dos bilhetes deixados na loja, porque definiu exatamente como me sinto em relação ao local: “I like this place more than I like pizza. And I really like pizza”.

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From → Proseando, Viajando

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