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Saboreando Paris

16 de setembro de 2013

Paris é, reconhecidamente, uma das cidades mais saborosas do mundo. Literalmente. Come-se muito bem por lá, e experimentar esses sabores é um dos melhores jeitos de descobrir os encantos parisienses.

Para um ser que gosta tanto de comer como eu, Paris é mesmo uma festa. Queijos, vinhos, manteiga, chocolate, macarons, pães. Água na boca, sorriso no rosto, felicidade na alma.

O melhor jantar da viagem aconteceu na parte menos charmosa de Montmartre, aos pés da Sacre Couer, longe do coração do bairro, onde ficam os melhores restaurantes. Foi um daquelas escolhas aleatórias que viram grandes acertos. A noite estava fria e não tinha mesa lá dentro. Enquanto esperávamos, fomos acomodados no bar e brindados com taças de espumante. Um começo promissor, certamente. Lá dentro, o charme dos menus escritos à mão, com giz, ofereceu o doce desafio de escolher os pratos. Resolvemos “mergulhar” e pedir entrada e prato principal. Escolhi um salmão marinado com salada de batatas mornas. As outras escolhas foram escargots e salada com presunto de pato. Todos muito bem servidos e, de acordo com os amigos (adoráveis) delicioso. A essa altura da brincadeira, me mantive a uma distância segura das conchas que nunca tinha provado nem tinha a pretensão de colocar na boca. A amiga que pediu, fina que só, disse que adorava o prato. Intrigada, pedi para ela descrever o sabor. Ela pensou um pouco, degustou o bichinho e disse “o gosto é terroso, e no final lembra camarão”. Me concentrei no salmão (divino) e deixei isso para lá. Alguns dias depois, tiraria a história a limpo.

Entradas finalizadas, vieram os pratos. Três de nós (incluindo essa que vos escreve) pediram o tradicional boeuf bourguignon. A amiga dos escargots, gourmet total, escolheu o pato (outro bicho cujo sabor desconhecia e evitava). De novo, porções muito bem servidas e perfeitas!

O boeuf estava muito saboroso, desmanchando como deve ser, e veio acompanhado por um purê de batata com azeite trufado divino! A refeição foi acompanhada de um vinho bordeux delicioso, o Chateau Latapie. Não tive coragem de pedir sobremesa depois desse banquete, mas provei o merengue com frutas vermelhas pedido por um dos amigos e (adivinha?) estava bom demais. Com tudo isso, pagamos pouco mais de 40 euros por pessoa. Bem justo, pois tanto a comida quanto o atendimento foram irretocáveis. O lugar não tem site, mas o endereço está aqui:

La Cave Gourmande
96, rue des Martyrs

Na noite seguinte, fomos conhecer um restaurante que havia sido indicado para minha amiga, o Chez Fernand. O lugar é mega charmoso e estava cheio. Como não tínhamos reserva, a espera era de uma hora. Aproveitamos o tempo para uma caminhada até Notre Dame. No caminho, tropecei na Shakespeare and Company e a noite ganhou tempero especial. De volta ao restaurante, comida gostosa e bom vinho (pedimos frango e peixe), mas o ponto alto foram as sobremesas: tarte tatin e gateau au chocolat de comer rezando e lamber os beiços. Uma boa pedida, com certezas. De novo, sem site, mas com endereço:

Chez Fernand
9, rue Christine

Os cafés de Paris são famosos pelo charme e, também, boas opções para refeições, desde o café da manhã, passando por lanches rápidos até chegar a almoço e jantar. Basicamente, eu poderia morar dentro de um deles, rs.

Em Saint German des Prés estão, lado a lado, os míticos cafés De Flore e Le Deux Magots, famosos por terem sido freqüentados por intelectuais e artistas do porte de Hemingway, Sartre e Picasso. No Café de Flore, provei café com croissant (perfeito). No Le Deux Magots, champanhe rosé e croque monsieur. Ver a vida (parisiense) passar em uma mesa desses cafés é um bom jeito de passar a vida.

Primo irmão dos cafés é o salão de chá. Um dois mais tradicionais é o Angelina, famoso, entre outras coisas, pelo chocolate quente, considerado um dos melhores da cidade. No livro “Minha Doce Paris”, a autora descreve a bebida como “um chocolate tão cremoso que gruda nos dentes”. Alias, esse livro tem muitas dicas de lugares para se provar doces deliciosos em Paris.

Voltando ao Angelina, fomos tomar café da manhã lá e provamos o tal chocolate. Não gruda nos dentes, mas é bem cremoso. A simpática garçonete portuguesa que nos atendeu nos orientou (sob pena de morte) a não colocar açúcar no chocolate. Foi dar o primeiro gole para entender o motivo de tal alerta: o chocolate é beeeeem doce. O lugar vale a visita, tanto pela bebida quanto pelo ambiente. Ah, e os doces são um deslumbramento só. Eles têm uma “filial” em Versalhes, onde provei a eclair de chocolate. Vou ter de usar a palavra perfeição de novo para definir o sabor.

http://www.angelina-paris.fr/

Em Montmartre, o que não faltam são opções de restaurantes, principalmente na praça atrás da igreja. É uma delícia ficar por ali, comendo, conversando, bebericando vinho (mais barato que refrigerante) e observando os artistas de rua. Nossa escolha foi o Cadet de Gascogne, onde minha amiga comeu moules frites e eu, uma super salada. Fui de vinho rosé, minha bebida oficial da viagem, e ela de branco. Um brinde ao joi de vivre. 🍷

Pulei a sobremesa e comprei deliciosos macarons em uma lojinha linda da rua. Me apaixonei por esses doces em um grau profundo. ❤

E se o assunto é macaron, Ladurré é o mestre dos mestres. Quando provei o de rosas, pensei em pedir o doce em casamento. Ainda bem que não fiz isso, porque o de flor de laranjeira dividiu meu coração na primeira mordida. Me senti como se estivesse mordendo o cheiro dos roseirais e das laranjeiras em flor. Mágica, alquimia, técnica, chame lá como quiser. Mas não deixe de provar esse doce quando for a Paris, pelamor!!! Também provei os sabores chocolate, pistache e caramelo com sal, todos (sorry, vou usar a palavra de novo) perfeitos.

http://www.laduree.com/

Também provei os macarons de Pierre Hermé, muito bem cotados. O de rosas fica bem longe do Ladurré, mas o sabor pepino, mandarim e óleo de oliva (!), escolha da minha amiga gourmet, é bem interessante.

Na França, como os franceses, provei pães crocantes por fora e macios por dentro, queijos saborosos, um bom filé com fritas, crepe de Nutela, omeletes simples e gostosos, sopa de cebola maravilhosa, trufa de chocolate comprada em uma daquelas lojas que parece filial do paraíso.

Um verdadeiro banquete para os sentidos, tudo bonito, gostoso, perfumado. Sentar à mesa em restaurantes locais é um dos meus jeitos favoritos de conhecer uma cidade. Em Paris, não fazer isso é pecado capital, pior que a gula.

Antes de encerrar o post, tenho que contar que minha amiga gourmet me convenceu a provar pato (a descrição dela para o sabor foi perfeita: algo entre o frango e a carne vermelha, mas único) e escargots. Provei desconfiada, mas provei. E não achei ruim não, viu? Agora já posso descrever eu mesma o sabor dos escargots: concordo que tem sabor terroso mas, para mim, no final, lembra mariscos. 😉

20130916-203444.jpg

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From → Proseando, Viajando

One Comment
  1. Célia permalink

    E eu, de meu lado, sempre que como escargots (e amo e o que é aquela manteiga que eles colocam em cima, cheia de alho e ervas?hunnn) penso em champignons: acho que a textura é a de um champignon; e o sabor é mesmo meio terroso, lembrando o gosto de folhas (talvez as folhinhas verdes com as quais ele é alimentado enquanto está sendo criado!). Mas é bom. E fico feliz por você ter se dado a chance de provar: viver é isso aí – provar coisas diferentes e viver de um jeito diferente à cada oportunidade que se tem!

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