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Vou de taxi 2 – sobre a gratidão

14 de agosto de 2013

Congonhas, em um dia de sorte na fila do taxi. Um senhor gentil, simples e cheio de sabedoria. Eu ia ouvindo e fichas iam caindo (sou vintage, admito), então resolvi registrar alguns trechos da conversa. Quando me der crise de mimimi, venho aqui, leio e tomo vergonha na cara.

No rádio, uma ministra dava entrevista: “fala bem ela, né filha? Uma mulher num cargo desses…as mulheres estão mesmo ocupando o espaço delas. Essa é lá da sua terra, né?”

A entrevista seguia e tocaram no tema da redução da miséria no país: “ah, filha, a vida melhorou demais, Nossa Senhora. Ainda tem muita coisa errada, mas melhorou muito. Meu filho comprou carro importado, apartamento. Eu, um taxista, comprei um apartamento em um lugar onde antes só morava rico. Agora mesmo, vou deixar a senhora e vou dar um pulinho lá para comer alguma coisa e tirar uma soneca. Cada vez que entro lá eu penso: não acredito que estou morando aqui. ”

(Pensa em na carinha de uma pessoa feliz, minha gente!)

“Financiei meu apartamento em 20 anos, mas se o Brasil continuar bombando, eu vou pagar em quatro anos. Já pensou que coisa boa, filha?”

“Falta muita coisa ainda…educação, saúde, segurança. Esses políticos que desviam o dinheirão que a gente paga de imposto deviam ir presos. Essa causa é nossa, né filha? É uma causa justa, eu fui para a rua por causa disso, fui lá para a Paulista.”

“A vida melhorou muito, mas tem gente que não sabe aproveitar. Tem gente que não quer progredir na vida. Tem gente que gasta tudo que pega na mão, não sabe economizar. E tem uns que só sabem reclamar de tudo. É chato demais, minha filha.”

“Eu agradeço a Deus todo dia. Como é que não vou agradecer? Tanta coisa boa nessa vida, né filha? Tem que agradecer.”

“Chegamos. Você vai ficar até quando? Ah, volta hoje mesmo? Então só veio resolver uns negócios, né? Vai com Deus e fica tranqüila porque vai dar tudo certo, filha.”

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From → Proseando

4 Comentários
  1. Célia permalink

    Simples assim… Não foi a vida que melhorou: ele é que batalhou e merece cada preguinho do apê dos sonhos que ele comprou. Adoro achar gente assim, simples e feliz! Que dá valor ao fato de acordar vivo, de ter trabalho; amo quem curte suas coisas, ao invés de espichar o olho para aquilo que é do outro. Você nunca tem crise de mimimi. E quando lá as tem, sei que providencia umas uvas em estado líquido e o mimimi….já era! E punto!…rss

    • Simples assim mesmo, Célia! Fiquei encantada com a atitude desse senhor! Lições de vida nos chegam de todo lado, para alegrar e inspirar.

  2. Inara permalink

    Obrigada. A Sorriso esses dias postou: “quer dar presentes? Dê palavras.”

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