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O Papa é pop

19 de julho de 2013

Desde que me entendi por gente, o Papa era João Paulo II, por quem sempre tive um grande carinho. Para mim, aquele polaco parecia um avô querido, de bom coração, alma iluminada. Quando ele morreu, foi um pouco como perder alguém da família.

Quando Bento XVI assumiu, me senti órfã. Achava que ele “não cabia na cadeira”, como se diz no mundo corporativo. Achava que ele tinha um olhar duro, e o olhar, dizem, é a janela da alma.

Em 2011, realizei o grande sonho de conhecer Roma, mas não coloquei o Papa na agenda. O Vaticano, com sua basílica e os museus, entrou. Por acaso, comprei ingressos para uma quarta-feira, no primeiro horário. Seguindo a dica da amiga que viajou comigo, fomos primeiro na Capela Sistina, para fugir um pouco das multidões e apreciar aquela maravilha com mais calma. Tínhamos acabado de sair de lá para começar a explorar o resto do museu, quando ouvi um guia dizendo “I want to be at square when the Pope arrives”. Heim? Papa? Na praça?

Descobrimos que era dia da audiência pública que o pontífice faz quando está “em casa”, e saímos correndo para fazer valer o clichê “fui a Roma e vi o Papa”. A Piazza San Pietro estava lotada de fiéis do mundo todo, em um clima de alegria contagiante. Por sorte, conseguimos um lugar perto da cerca que demarcava o caminho do papamóvel, e vimos ele bem de perto. Nunca fui boa de fotos, mas uma das que tireo foi abençoada, rs.

Naquele dia, o Papa me pareceu muito cansado, enfraquecido. Parecia levar um grande peso nos ombros. Talvez o que o fez “pedir para sair” já estivesse tomando forma. Naquele dia, visitei as tumbas do Vaticano e comprovei que o amor por João Paulo II não tinha diminuído, porque seu túmulo simples era o que mais chamava atenção. Mais do que o do seu vizinho, São Pedro.

Quando Bento XVI renunciou e o conclave elegeu o argentino (pensei, danou-se, agora eles vão ter certeza de que são melhores que nós, rs) fiquei surpresa como todos. Mas logo que vi o Papa Francisco, gostei dele. Me emocionou vê-lo saudando o povo daquela forma simples e bem-humorada, falando do Papa que vinha do fim do mundo. Ao abrir mão de alguns “luxos do cargo”, faz jus ao nome que escolheu. Quando diz que a igreja deve acolher em vez de julgar e que os religiosos devem fazer valer seu voto do pobreza, demonstra coerência. Quando propõe reformas e mexe inclusive no banco do Vaticano, demonstra coragem.

Esse Papa simples, que gosta de gente, me fez sentir “parte do rebanho” de novo. Quando voltar para minha amada Roma, vou bem fazer uma visita para este hermano chamado Chico. 🙏😉

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From → Proseando

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