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Águas Passadas

29 de abril de 2013

Quando releio meus diários antigos, dou boas risadas com as minhas paixonites adolescentes. E dá-lhe coração partido, chorar ouvindo música romântica, achar que (oh céus, oh vida, oh azar) meu destino era ficar sozinha mesmo, quem precisa dos homens (humpf), melhor desistir de encontrar alguém para chamar de meu amor. Desnecessário dizer que essas resoluções todas duravam até a próxima paixão acontecer, e o ciclo se repetia.

Paixonites, eu tive muitas (quem nunca?), e algumas grandes paixões que me tiraram o chão quando acabaram. Sabe quando você acha que não vai conseguir respirar sem o outro? Sabe quando você tem certeza de que aquele cara é “o cara” e que vocês foram feitos um para o outro? Então, bem dessas. Na época, não conseguia entender porque a vida era tão injusta por não me deixar ser feliz com quem eu amava tanto (shakespeariano, isn’t it?). Alguns anos depois, já mais madura, percebi que, se eu tivesse realizado aqueles sonhos, minha vida teria tomado um rumo totalmente diferente. Eu acho que estou exatamente onde eu deveria estar e, se tivesse casado com qualquer um dos meus antigos amores, teria sido uma péssima esposa e feito os dois infelizes. A vida sempre sabe o que a gente precisa, e nos dá exatamente isso. Nem mais, nem menos. Nem antes, nem depois.

Tempos depois, me apaixonei, fui correspondida e casei. Tive um casamento longo (9 anos), e fui feliz a maior parte do tempo. Depois foi deixando de ser até que acabou. Essa é a versão resumida da história, claro. Terminar um casamento (mesmo quando se tem certeza de que é isso o que você quer) é sempre complicado e doloroso, mas não me arrependo nem de ter casado, nem de ter separado. Dessa história, guardo o mesmo que guardo de todas as outras: as lições aprendidas, carinho e gratidão pelo que significou, e só. Nunca consegui ser amiga de ex (admiro quem consegue), porque para mim o que passou, passou. Passado fica no passado, para abrir espaço para o presente e o futuro. Se a gente ficar olhando para trás, vai acabar dando com a cara no poste. Águas passadas, definitivamente, não movem moinhos.

Acho que vale a pena investir na felicidade consigo mesmo até encontrar alguém bacana para dividir a vida. Com quase 40 anos, tive tempo suficiente para entender que jogar em dupla é melhor, mas que o ditado “antes só do que mal acompanhado” faz todo sentido.  Outro dia, eu li no Facebook um equivalente que achei ótimo: “ou soma, ou some”. 😉

 

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From → Proseando

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