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Em Roma, mangia che te fa bene

14 de fevereiro de 2013

Quando li “Comer, Rezar, Amar” pela primeira vez, foi difícil controlar o impulso de correr para o aeroporto e pegar o primeiro vôo para Roma. Primeiro porque, assim como a Liz, meu casamento estava acabando e, assim como ela, eu acreditava piamente que aquela cidade poderia ajudar a curar as minhas feridas. O segundo motivo era o apetite despertado pelas descrições que ela fazia das delícias italianas. Comilona que sou, aquilo parecia a descrição do paraíso.

 

Então, quando finalmente realizei o sonho de ir a Roma, uma das prioridades era “me jogar” na culinária local. Nada de fast food para mim, obrigada. A meta era conhecer o maior número possível de restaurantes e experimentar o maior número possível de massas, tudo regado a vinho, claro. E assim foi em cada uma das visitas. As viagens à cidade eterna podem ser descritas como intervalos entre uma refeição e outra. Intervalos estes “recheados” com deliciosos passeios para explorar a cidade. Vida ruim, vou te contar.

 

Quando a fome apertava, era hora de procurar um restaurante simpático, com mesas na calçada de preferência, e passar um tempinho sofrendo, com o cardápio na mão, até conseguir escolher o prato — não é fácil, mas a gente precisa ter coragem na vida, rs. Pedidos feitos, lá vem o garçom com o seu vinho (deixemos o refrigerante para outro país, por favor), água e uma cesta com pão fresquinho, que você vai comer aos pedacinhos, com bom um azeite, sal e só. Um banquete temperado pela simplicidade.  

 

Os italianos são famosos por suas longas e fartas refeições — antipasti, primi piatti, secondi piatti, dolci. Sou boa de garfo, mas nunca consegui passar por todas as etapas. Meu máximo (depois de alguns dias vivendo à italiana) foi antipasti + massa + sobremesa.

 

Comer é um ritual que deve ser realizado sem pressa, saboreando cada pedacinho de comida, cada gole de vinho, cada conversa, cada risada. A companhia é um ingrediente fundamental para que a alquimia funcione — então, cerque-se de gente querida, que goste de comer e de viver. Entre um bocado e outro, aproveite para ver a vida passar e para admirar o vai e vem dos italianos. Acredite, o cenário ajuda a temperar a comida. O brinde final pede limoncello, geralmente servido como cortesia nos restaurantes. Eu amo!

 

Agora, vamos os destaques da minha versão do “Comer”. Qualquer semelhança com as aventuras da Liz não são mera coincidência. J

 

Antipasti

As singelas bruschetas são as minhas favoritas. Como cada restaurante tem um jeito de preparar a sua, a experiência nunca é igual. Também amei o “carciofi alla romana” (alcachofra cozida e refogada no azeite), bem típico. Outra boa pedida é o arancini, que é um bolinho frito de arroz. O arroz está mais para aquele risoto de frango típico, e tem queijo no recheio. Finalmente, “fiori di zucchina fritti (flor de abobrinha empanada e frita). Quando li a descrição que a Liz fez sobre esse prato, quase engasguei com tanta água na boca, e quando provei, em Roma, quase morri de felicidade ao provar as crocantes florzinhas de sabor suave.

 brusqueta

Pasta

Em Roma, faça como os romanos. Coma pasta, muita pasta. Garanto a vocês que me dediquei à tarefa com afinco. Matriciana, carbonara, funghi, pesto, com polpeta e por aí vai. Um mais gostoso do que o outro, de lamber os beiços. O meu favorito? Definitivamente, o ao sugo, ou pomodoro. Acho que tem “cara” de macarronada da nona, bem italiana mesmo. Tomates frescos, pasta de boa qualidade, basílico para dar aquele perfume. Esse prato é de uma simplicidade deliciosa, que eu não canso de repetir. Na última viagem que fiz a Roma, um garçom até tentou me fazer mudar de ideia, dizendo que essa massa era simples demais, do tipo que se come em casa. Pois é exatamente disso que eu gosto! Não mudei o pedido e fui bem feliz com meu espaguete.

 

pomodoro

 

Na última viagem, por sugestão de um dos queridos companheiros de viagem, conheci o restaurante Il Vero Alfredo, no qual o carro chefe (adivinha?) é o fetticine all’ Alfredo, receita servida desde 1950. A massa é servida depois de um ritual feito por um garçom bem velhinho, que está ali, parece, desde sempre. O ambiente é muito charmoso, com as paredes cheias de fotos de celebridades que já provaram o famoso manjar. Aquela noite foi mágica, fruto da combinação de massa celestial, vinho (um chianti da casa, simples, porém honesto), bons amigos e música italiana, ao vivo, cantada por outro senhorzinho que mais parecia ter saído de um filme.

 

alfredo

 

Pizza

Quando o garçom trouxe aquela pizza individual à mesa, pensei que não daria conta! No entanto, foi só provar aquela delícia de massa fina e crocante, com cobertura na medida certa, que percebi o engano.

 

eu pizza

 

 

 

As pizzas de Roma são do tamanho exato da felicidade. No Pepe Verde, são acompanhadas de um serviço simpático e ambiente acolhedor.

 

Pepe Verde

 

Dolci

Provei tiramisu e pana e panna cotta (deliciosas!) apenas para não dizer que não falei das flores, mas na grande maioria das vezes, a sobremesa era o divino gelato. Foi paixão ao primeiro copinho, comprado em uma gelateria em frente ao Pantheon. Sabores dos mais variados, uma doce tentação à qual me rendi sem pudor. Em homenagem à Liz, fui provar os sabores do Il Gelato di San Crispino, que faz jus à fama.

 

Il Gelato di San Crispino

 

No entanto, todos os gelatos que tomei eram absolutamente perfeitos, inclusive aquele comprado na barraquinha de rua, uma clássica combinação de chocolate, morango e baunilha. Escolher o sabor favorito é impossível para mim. Gosto de todos, e pronto.

 

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Termino esse post, literalmente, com gostinho de quero mais. Roma é um banquete para todos os sentidos, e dessa iguaria eu quero repetir muitas e muitas vezes.

 

A trilha não é italiana, mas uma música que acho tão “gostosa” como uma refeição em Roma. Bom apetite!

 

 

 

 

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From → Viajando

6 Comentários
  1. Marina B Pinheiro permalink

    Sim, depois desse post (que li com fome! arrgghhh) tem mesmo que tocar “Im in heaven”! kkkk Otimo, Zeila, adorei!

  2. HISTORY OF ALFREDO DI LELIO CREATOR OF “FETTUCCINE ALL’ALFREDO”
    With reference of your article we have the pleasure to tell you the history of our grandfather Alfredo Di Lelio, who is the creator of “fettuccine all’Alfredo” in 1908 in restaurant run by his mother Angelina in Rome, Piazza Rosa (Piazza disappeared in 1910 following the construction of the Galleria Colonna/Sordi).
    Alfredo di Lelio opened the restaurant “Alfredo” in 1914 in a street in the center of Rome, after leaving the restaurant of the mother Angelina. In this local spread the fame, first to Rome and then in the world, of “fettuccine all’Alfredo”.
    In 1943, during the war, Di Lelio sold the restaurant to others outside his family.
    In 1950 Alfredo Di Lelio decided to reopen with his son Armando his restaurant “Il Vero Alfredo” (“Alfredo di Roma”) in Rome, Piazza Augusto Imperatore n.30, which is now managed by his nephews Alfredo (same name of grandfather) and Ines (the same name of his grandmother, wife of Alfredo Di Lelio, who were dedicated to the noodles).
    See also the site of “Il Vero Alfredo” (“Alfredo di Roma”) http://www.alfredo-roma.it/.
    We must clarify that other restaurants “Alfredo” in Rome do not belong to the family tradition of “Il Vero Alfredo” in Rome.
    We inform that the restaurant “Il Vero Alfredo” is in the registry of “Historic Shops of Excellence” of the City of Rome Capitale.

    Best regards Alfredo e Ines Di Lelio

    • Alfredo and Ines,

      Thank you very much for your comment. The history of the restaurant is part of its magic. The night I spent there was perfect, and one of the most special of that trip. I’ll come back for sure.

      Best

      Zeila

  3. Inara permalink

    Comer aquele Alfredo, o original, com aquelas pessoas, ouvindo aquelas músicas e tomando aquele vinho, foi mágico!

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