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De que cor é a grama do seu vizinho?

10 de fevereiro de 2013

Um dia desses, estava brincando com uma amiga que anda tão difícil achar a tampa da panela que estou achando que sou um modelo sem tampa. Ela, casada, riu e disse que a tampa existe e está por aí em algum lugar, e completou dizendo que ter uma tampa não significa estar feliz.

Eu sei bem que isso é verdade, porque já fui casada e lembro quando a tal tampa deixou de me completar e começou a me sufocar. Também lembro que, mesmo quando estava feliz com a tampa, havia momentos nos quais eu sentia certa inveja das amigas solteiras, que podiam fazer o que quisessem, sem dar satisfação a ninguém. Será que, de fato, a grama do vizinho é mesmo mais verde? Acho que isso tem mais a ver com a natureza humana do que com grama. Somos insatisfeitos e incompletos, e a busca pelo que falta (ou não falta, mas queremos) é o que nos move. Como a vida é feita de escolhas, sempre fica uma pontinha de dúvida sobre a opção que ficou para trás. 

Ano passado, passei o Carnaval na cidade maravilhosa. Quase morri de calor, mas me diverti muito. No entanto, no meio da folia, às vezes pensava no meu sofá. Esse ano, cansada demais da conta, resolvi ficar em casa, praticando o nadismo. Aí, cá do aconchego do meu sofá, fico vendo tanta gente bacana por lá e penso que, talvez, eu devesse ter ido ao Rio de novo. A dúvida passa logo, porque estou precisando desse tempo off, mas ela existe. Quer outro exemplo? Você sai para jantar com um grupo de amigos e cada um faz seu pedido. Quando os pratos chegam, acontece de você olhar para o prato ao lado e pensar “devia ter pedido isso”. Quem never?

Escolher significa abrir mão. Então, dar uma espiada na vida ao lado não é assim tão grave, desde que isso não te paralise ou impeça de ver a beleza do tom de verde que a sua grama tem. E se a sua grama já não está mais verde mesmo, arranque as raízes secas e plante outra. Pode apostar, vai crescer bem bonita, se você regar direitinho. Jogue a tampa que não se encaixa mais e aprenda a viver bem com você mesmo, porque esse é o relacionamento mais importante de sua vida. Se é justamente uma tampa que falta para você, vá em busca. E enquanto não encontra, aproveite o caminho. Se você gosta da folia, pule. Se gosta do sossego, sossegue. Agora, qualquer que seja a sua escolha, saiba que para ter a grama verde é preciso cuidar, porque ser feliz dá trabalho. Então, quando estiver em uma encruzilhada, escolha a direção que lhe parecer melhor. E se, no meio do caminho, você sentir que a escolha antiga já não serve mais, volte, ou pegue a primeira à direita e siga reto toda vida, ou não. É disso que a vida é feita: idas e vindas, tentativas, erros e acertos. Não necessariamente nesta ordem.

Eu já tinha escolhido Creedence para a trilha deste post, quando, de repente, lembrei do Almir Sater.  E decidi que as duas músicas juntas fazem todo sentido, porque é bem mais fácil tocar em frente quando se consegue ver a luz.

 

 

Como bônus, deixo um trecho do “Livro de Receitas para Mulheres Tristes“, que cai como uma luva para aqueles em busca da tal da tampa: “Você pode não saber, mas há um homem perdendo o sono e a fome por sua causa. Ele só viu você uma vez, mas é como se sempre tivesse estado à sua procura e, num momento de deslumbramento, ao avistá-la, afinal a tivesse encontrado. Como por efeito de uma memória ancestral, ele reconhece seu rosto e vê que era você, só você, que ele tanto procurava. Você pode não saber, mas em algum canto do planeta há um homem à sua procura.”

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From → Proseando

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