Skip to content

Em busca da felicidade

8 de fevereiro de 2013

Às vezes, naqueles dias nos quais eu precisaria ser cinco para dar conta de tudo o que tenho de fazer, eu penso em largar o mundo corporativo e ir plantar batata. Mas, aí, paro e lembro que já fiz isso, e que não gostava. Meus pais, hoje aposentados, foram agricultores a vida toda, e antes de arrumar meu primeiro emprego, lá pelos 21 anos, eu trabalhava com eles na roça. Quando a gente come uma salada, não imagina o quanto custa para fazer as benditas verduras chegarem ao prato. Acho difícil ter melhor escola para ensinar a dar valor à vida, porque tudo o que se consegue é fruto de muito esforço.

Tenho tanto orgulho dos meus pais que nunca vou saber expressar direito. No entanto, eu nunca gostei desse serviço. Era fraca demais, fresca demais, e achava que minha força estava na cabeça, não nos braços. Depois de muita briga (eles tinham medo que o mundo lá fora fosse me fazer mal), meus pais concordaram com o tal emprego. Esperei duas horas para fazer a minha primeira entrevista, que durou cinco minutos. Mesmo tendo dito que não tinha experiência nenhuma, consegui a vaga de telefonista em um hotel. Na época, nem tinha telefone em casa, mas lá fui eu. Meu primeiro chefe era um dos seres mais pacientes e calmos que eu já conheci, e me deu a tranquilidade que eu precisava naquele começo. Ele sempre dizia que eu não precisava ter medo de errar e que podia tentar coisas novas. Também dizia que tinha de esconder os objetos cortantes para eu não me machucar, de tão tímida e nervosa que eu era. Ele tinha razão nas duas coisas. 🙂

Exatamente um ano depois, um certo banco comprou o hotel, onde eu era, à altura, recepcionista. Mais um tempo se passou e, quando eu vi, estava trabalhando em uma das equipes da área de treinamento daquele banco. Era o ano de 2000, e a líder mais fantástica com quem já trabalhei estava montando a área de ensino a distância, um projeto fascinante do qual tive a sorte de fazer parte. Essa líder viu em mim um potencial que eu não sabia que existia, e me dava desafio atrás de desafio. Quando vi, estava fazendo desenho instrucional de e-learnings, depois de treinamentos presenciais, depois de programas estratégicos como o de trainees. Também foi com ela que tive meu primeiro cargo de gestão, algo que nunca tinha me passado pela cabeça. Como sempre, ela sabia mais de mim do que eu. 

Essa líder foi voar outros voos, e outras líderes (sempre mulheres poderosas) se sucederam. Desafios diferentes, uma barra que não parava de subir. Com cada uma, aprendi muito do pouco que sei. A Zeila de hoje tem um pouco de cada uma dessas pessoas. Também tive e tenho colegas que me inspiram, ensinam e apoiam. Estou há quase 15 anos na mesma empresa, mas com experiências muito diversas. É uma empresa que admiro e cujos valores compartilho. É um lugar que me permite desenvolvimento e desafios diários, e também reconhecimento. Aqui, faço o que gosto. 

Claro que nem tudo são flores. Houve cargos que eu quis e não tive, passos para trás, decisões difíceis a tomar. Também conheci gente ruim, mas mesmo com esses a gente aprende (nesse caso, o que não fazer). Olhando para trás, tudo se encaixa, tudo faz sentido. Os passos para trás acabaram se mostrando atalhos para chegar onde estou hoje. Enquanto o saldo for positivo, sigo por aqui. Como sempre, fazendo a minha parte. Entregando com qualidade, buscando aprender, exercitando a flexibilidade e a resiliência, porque essa vida corporativa não é mole (plantar batatas também não, então…). Sigo respeitando os outros, e não abro mão dos valores que aprendi em casa, porque o que é certo, justo e ético vai ter sempre o seu lugar, seja na plantação de batatas, debaixo de sol, seja no escritório elegante, com ar condicionado. 

Penso que carreira é uma via de duas mãos. Para receber retorno da empresa, é preciso fazer a lição de casa direitinho. Se achar que as oportunidades vão cair do céu, melhor esperar sentado. Claro que há um “elemento sorte” envolvido, mas é preciso estar preparado quando a sorte bater na sua porta. Se não estiver, pode apostar, ela vai bater na porta ao lado, e sorrir para o colega que, em vez de esperar sentado, correu atrás do desenvolvimento. O Tiger Woods tem uma frase que eu amo: quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho.

Essa é a minha história de carreira (so far), e as escolhas que fiz e os rumos que segui só servem para mim. Cada um recebe papel e lápis de cor para desenhar sua história. É preciso se conhecer, saber o que gosta, o que não gosta, o que faz bem e o que precisa melhorar. E fazer acontecer. Escrever a nossa história do seu jeito até tem um preço, mas vale a pena pagar para ver.

Tinha pensado em outra música para esse post, mas de repente me lembrei da minha música favorita do Sinatra e não tive dúvidas.

Anúncios
5 Comentários
  1. Fenomenal Zeila!! História linda e permeada de valores e princípios, que ao final do dia são nossos bens mais preciosos especialmente na vida corporativa. God keeps blessing you in everything!!

  2. Olha eu “aparecendo” aqui novamente!! Mais uma vez parabéns, Na facu tive a oportunidade de conhecer um pouquinho dessa história, realmente é uma linda história real que como o José disse permeada de valores e princípios preciosos!

  3. Flávia permalink

    Lindo!!! Sem dúvida esta empresa foi e é uma grande escola!!! Parabéns pelas conquistas e pelo texto maravilhoso!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: