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Os meus caminhos em Roma

3 de fevereiro de 2013

Uma vida não é suficiente para esgotar o charme de Roma, mas passar menos de três por lá é pecado capital. Esse é o tempo necessário para conhecer as principais atrações da cidade eterna. Por isso, esse post tem formato de roteiro de viagem de três dias, com bônus caso você tenha mais tempo para explorar todas as delícias escondidas naquelas ruelas alaranjadas.

Dia 1. Piazza Venezia + Fontana de Trevi + Piazza Navona + Piazza Spagna + Pantheon
Você pode fazer esse circuito caminhando pelas ruelas charmosas da cidade. Pode se preparar para se perder várias vezes (se isso acontecer, pare e peça informação aos policiais. Além de sempre saberem o caminho, ainda são um colírio para os olhos). Quando o cansaço apertar, faça paradas estratégicas para tomar aqueles gelatos divinos.

Todos os gelatos de lá são bons, não tem erro. No entanto, se quiser saborear um sorvete “famoso”, vá até uma das lojas Il Gelato di San Crispino. Se você leu “Comer, Rezar e Amar”, essa é a gelateria pela qual a Liz se apaixonou. Eles têm sabores diferentes e deliciosos como canela com gengibre e manjericão. Se você quiser pedir esse último e não lembrar como se diz manjericão em inglês ou italiano, melhor mudar de sabor, porque o vendedor pode achar que você está tentando pedir um gelato sabor pizza, como aconteceu da última vez que estive lá. No fim, o tal sabor não estava disponível, mas isso rendeu boas risadas com os companheiros de viagem.

http://www.ilgelatodisancrispino.it/ilgelato

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Deixemos o gelato para lá e vamos ao passeio. Na Piazza Venezia, fica o monumento a Vitorio Emanuele, que é bem impressionante. O melhor, no entanto, é a vista que se tem do Coliseu e do Fórum! Rende boas fotos e frio na barriga. Do lado, fica a Piazza del Campidoglio, cheia de estátuas lindas como a de Marco Aurelio. Foi Michelangelo quem desenhou a praça do jeito que ela é hoje. Ainda não visitei o Musei Capitolini, que fica nessa praça, mas sei que o museu tem uma super coleção e vai entrar na lista de passeios da próxima vez que for a Roma. A Piazza Spagna é aquela das escadarias. Nos finais de semana, fica quase invisível, de tanta gente que senta nos degraus para ver a vida passar. É ali que ficam todas as lojas das marcas chiquérrimas ─ Louis Vuitton, Chanel, Victor Hugo, Armani, etc. Por ser uma região mais sofisticada, tudo é mais caro por ali.

A Piazza Navona é bastante movimentada, com artistas de rua, e tem uma fonte linda do Bernini, chamada Quattro Fiumi (Fonte dos Quatro Rios). Aliás, Roma é pródiga em fontes, e muitas delas têm água potável. Você vai ver muita gente abastecendo suas garrafinhas tranquilamente.

O Pantheon era um templo pagão que virou a primeira igreja católica de Roma. A arquitetura é uma loucura, com aquela cúpula no teto que deixa a luz natural iluminar o ambiente. Quando chove, a água que entra pela cúpula se transforma em suave garoa ao tocar o chão. É um lugar mágico. O túmulo do pintor Rafael é um dos locais mais procurados lá (se você viu/leu Anjos e Demônios, sabe do que eu estou falando).

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Agora, a cereja do bolo. A Fontana di Trevi é uma das visões mais deslumbrantes de Roma ─ a gente vira uma esquina e, de repente, ela “pula” na nossa frente, toda linda. Joguei minha moedinha (pedindo para voltar a Roma) em março de 2011 e voltei em setembro do mesmo ano. No ano seguinte, voltei de novo. Funciona mesmo! Não é à toa que o lugar vive cheio de pessoas de todas as idades, estilos e nacionalidades, todos tentando chegar pertinho para jogar suas moedas e fazer seus pedidos.

Chegue de dia ainda, sem pressa.  Ache um lugarzinho para sentar e fique ali, admirando a vista, até o sol se por e as luzes começarem a acender. Não se esqueça de fazer uma prece silenciosa e agradecer por estar vivendo esse momento. Quando a fome bater, procure um restaurante ali perto. Qualquer um com mesas na calçada e garçons simpáticos. Peça um vinho e uma massa, que serão deliciosos. Coma sem pressa, de preferencia em boa companhia, e tempere a comida com bom azeite e muitas risadas. No final, uma tacinha de limoncello para fechar os trabalhos com chave de ouro. Não peça sobremesa. Saia do restaurante e vá caminhando em direção da Fontana. Compre um gelato no meio do caminho e vá saboreá-lo nas escadarias, para poder se encantar mais uma vez com aquela magia.

 

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Dia 2.  Museu do Vaticano + Basílica de São Pedro

A coleção do museu é gigante. Seria preciso voltar muitas vezes para ver tudo. De duas uma: ou você dá uma olhada rápida em tudo ou escolhe algumas coisas para ver com mais calma. Se optar pela segunda opção, combine a Capela Sistina (imperdível!) com mais duas ou três sessões.  A Galeria dos Mapas é maravilhosa, assim como Stanze di Raffaello (o mestre Rafael, que está enterrado no Patheon). Ah! Na saída, não deixe de tirar uma foto na escada helicoidal (caracol), lindíssima!

Sugiro que você compre os ingressos pela internet, para evitar as filas, que podem ser gigantescas. Quando fui, o preço era 15 euros do ingresso + 4 euros de taxa. O primeiro horário é a melhor pedida ─ quanto mais cedo, menos gente. O link segue abaixo, e funciona super bem.

http://biglietteriamusei.vatican.va/musei/tickets/index.html

E aqui entra uma boa prática aprendida com a amiga que foi comigo a Roma na primeira viagem: vá direto para a Capela Sistina. Como ela costuma ser deixada para o final do passeio, chegando cedo você conseguirá contemplar essa maravilha de Michelangelo com mais calma. Esse é o lugar no qual acontece o Conclave, a “eleição” dos Papas. De novo, se você viu/leu “Anjos e Demônios”, sabe do que estou falando. Lá dentro, as fotos são proibidas. Vi muita gente dando “um jeitinho” e fazendo seus registros, mas eu nem pensei nisso. Foto nenhuma é capaz de captar aquela obra prima. Eu me contentei em olhar e babar. De novo, vale uma prece de agradecimento por ver tão grande beleza com os próprios olhos.

Depois do Museu, vá para a Basílica de São Pedro, na praça (linda) de mesmo nome. A beleza e energia desse lugar não deixam ninguém indiferente, independentemente de religião. E tudo lá é tão grande e imponente que a gente se sente como formiguinhas.  A Pietá, de Michelângelo, é de chorar de tão linda. O túmulo de João Paulo II (polonês, ele é o meu papa favorito, de olhar tão bondoso que parecia um avô querido) está lá, assim como a estátua de São Pedro, com o pé gasto com os incontáveis afagos dos peregrinos.  A visita à basílica e às grutas é gratuita. Se quiser subir até a cúpula, tem de pagar (não lembro o preço) e enfrentar mais de 300 degraus em uma escada caracol que fica cada vez menor. Se tiver claustrofobia, não vá. Se não, a vista compensa o esforço.

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Nas quartas-feiras, é dia de audiência papal. Se o tempo ajudar, isso acontece em plena praça, que fica repleta de pessoas de todos os cantos do mundo. Da primeira vez que fui a Roma, descobri isso por acaso, e saí correndo com minha amiga do museu, bem a tempo de conseguir um lugar privilegiado para ver Bento XVI. Tanta fé e alegria concentradas arrepiam e emocionam demais. 

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Importante: não pode entrar usando decotes, bermudas e afins. Nas imediações, há muitas lojinhas e ambulantes vendendo as famosas lembrancinhas, e também opções de restaurantes para todos os bolsos e gostos. Ali perto fica o Castelo San Ângelo,  que só vi de longe e está na lista das próximas viagens. Roma é invesgotável.

Dia 3. Coliseu + Palatino + Fórum

Apaixonada pela Roma antiga como sou, esse é meu pedaço favorito da cidade. O ingresso é único (15 euros) e dá acesso a todo esse complexo histórico. Por mais 3 euros, você faz visita guiada em inglês no Coliseu. O Coliseu é de tirar o fôlego. Impressionante ir caminhando em direção ao monumento e vê-lo crescer diante dos seus olhos. Seu nome deve-se à colossal estátua de Nero que ficava nas imediações. Quando foi construído (Vespasiano começou a obra, que foi concluída por seu filho, Tito), ele era todo revestido de mármore branco e reluzia à luz do sol. Tire muitas fotos, sem pudor. Lá dentro, impossível não ficar pensando na época dos gladiadores e césares e em toda a glória e sangue vistos na arena.  

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Depois, a pedida é explorar o Palatino (uma das sete colinas de Roma) e o Fórum sem pressa. As ruínas são um prato cheio para quem gosta de história antiga. Quase dá para “sentir” Júlio Cesar, Marco Antônio, Augusto etc. ao caminhar por lá. No Palatino, desfrute dos lindos jardins e pomares e visite ruínas como a casa de Augusto. No Fórum, estão a Rostra (de onde Marco Aurélio fez o discurso famoso no funeral de César), o Arco de Tito, o templo de Saturno, o local onde Júlio César foi cremado (Templo de César) entre muitos outros monumentos.

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Depois dessa andança toda,  se ainda tiver disposição, vá jantar perto da Fontana Di Trevi e repita o “ritual” da mesa na calçada, vinho, massa, risadas, limoncello e gelato nas escadarias. E jogue mais uma moedinha, só para garantir que você volte a esse lugar onde a vida é mais veramente bela.

 Bônus

Agora, algumas opções de passeio caso você tenha  mais um tempinho em Roma. Combine as opções de acordo com seu gosto e disposição.

Para começar, Galeria Borghese.  Trata-se de uma galeria de arte pequena, de dois andares e coleção compacta, que você consegue apreciar melhor do que o “exagero” do Vaticano. Você precisa comprar os ingressos com antecedência e agendar horário. Chegando lá, deixe todos os seus pertences na entrada. Sem fotos, apenas você, seus olhos e sua emoção. Foi lá que tive a certeza de que prefiro às esculturas às pinturas.  O Rapto de Proserpina e o Davi de Bernini são de uma perfeição absurda. É lá que está a Vênus Victrix, de Canova.  Como se não bastasse,  a galeria fica em um parque lindíssimo.

Se gostar de feiras, não deixe de ir ao Campo di Fiori e se inebriar com as cores e cheiros das delícias italianas. Difícil vai ser não sair de lá cheio de sacolas. Ao redor, há várias opções de restaurantes gostosos.

Depois de ter visitado grandes basílicas como a de São Pedro e a de Santa Maria Maggiori, me emocionei com a simplicidade absoluta de Santa Maria in Cosmedin.  É na entrada dessa igreja que fica La Bocca della Verità. Reza a lenda que, se você for mentiroso e colocar sua mão lá, vai levar uma mordida. Se você viu o filme “A Princesa e o Plebeu”, vai lembrar desse lugar com certeza. Em tempo, minha mão saiu ilesa (ufa).

Finalmente, Trastevere que, como o nome diz, fica do outro lado do Tibre. É lá que, de acordo com seus moradores, vivem os “verdadeiros” romanos.  Deixe-se perder pelas ruelas, que aqui são ainda mais alaranjadas. O lugar é bastante agitado de noite, com boas opções para uma bela (e veramente romana) refeição.

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Encontre uma osteria que te conquiste à primeira vista, peça um copo (Sim, copo. Nada de taças em osterias.) do vinho da casa, uma alcachofra para beliscar até que a massa chegue, e veja a vida passar. Sem pressa, saboreando cada gole, cada mordida, cada minuto. Se sentir que está se apaixonando, não resista. Se entregue, porque Roma sabe retribuir esse sentimento. 

Hoje, a trilha é descaradamente italiana.  Roma merece.

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From → Viajando

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