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Anjos de quatra patas

15 de janeiro de 2013

Vidas Secas é uma obra-prima do mestre Graciliano Ramos. Um livro daqueles tristemente lindos e lindamente tristes. A morte da Baleia, sonhando com o céu dos cachorros, me faz chorar só de lembrar.

Sempre amei os animais, em especial gatos e cachorros, e sempre vivi abençoadamente cercada por eles. Se tiver de desempatar, voto nos cachorros — carente que sou, acho que não entendo direito a independência dos felinos, apesar de achar poucas coisas tão charmosas quanto o seu ronronar e o jeito de “amassar” a gente com as patinhas. Bob & Marley são os dois nobres vira-latas que, hoje, enchem a minha vida de caudas abanando, pulos de alegria descontrolada, olhares amorosos e amor incondicional. Eles têm uma dona workholic e que viaja bastante, mas, mesmo assim, sempre me recebem como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo. Pelo menos, do mundo deles. O meu lar só é doce porque eles estão lá, me esperando.

 Eu tive a sorte de conviver com vários anjos de quatro patas ao longo da vida, mas alguns merecem menção honrosa. O Paquito eu peguei bem filhotinho e me acompanhou na juventude. Ele era baixinho, gordinho e tinha o pelo bem lustroso (parecia mais uma foca do que um cachorro, pensando bem), era marrento que só e viciado em café (tinha uma xícara só para ele e tudo) e chocolate. Hoje eu sei que não devia ter dado nada disso para ele, mas (apesar de mim) ele teve uma vida longa e feliz. Morreu dormindo, bem velhinho, e deixou uma saudade que, mesmo depois de 15 anos, continua por aqui. Ele fazia uma dupla bem dinâmica com o Duley, labrador mestiço da minha mãe, branquinho e moleque, que ainda continua entre nós mas, velhinho que está, vai logo encontrar o Paquito no céu dos cachorros. A festa, que começou aqui, vai continuar lá.

Ebony and ivory

Depois, já adulta, morando na minha casa, tive o Faruque, o dálmata mais lindo que já vi na vida. Ele foi adotado com cerca de seis meses e a adaptação foi meio turbulenta. Depois, ele se transformou em um companheiro fiel e doce como só os cães sabem ser. Era muito carente e meio depressivo, mas brincalhão como poucos (será que era bipolar?). A saúde era complicada e, no final, teve de ser sacrificado. No céu dele, em vez de preás, deve ter um monte de bolinhas.

Monocromático

Fiquei tão triste que jurei que não queria ter mais bichos. No entanto, pouco tempo depois, meu irmão me convenceu a adotar dois filhotinhos — eles eram irmãos, pequeno porte, e fariam companhia um para o outro. Achei o plano bom, mas “decidi” que, dessa vez, não iria me apegar tanto. Desnecessário dizer que me apaixonei pelos dois pequenos à primeira vista. O Marley sempre foi o carente da dupla (tem necessidade de colo, de estar grudado o tempo todo). Já o Bob se faz de difícil — deita longe e olha com aquela cara de “estou aqui, não preciso de você, mas se quiser me fazer um carinho, eu até deixo”. Alguns meses depois da chegada deles, eu me separei, e eles foram os companheiros perfeitos para um momento delicado. Os primeiros tempos são difíceis, mas eles tiveram muita paciência comigo. Espero que cuidem de mim por muito tempo ainda.

Pequetuchos

Hoje  

Mais hora, menos hora, eu ia acabar escrevendo sobre os bichos, mas ontem, no Facebook, vi dois vídeos que me deram o impulso necessário. Sempre achei que, assim como a Baleia de Vidas Secas, os bichinhos têm sentimentos, e que eles só não falam porque não têm o “equipamento” necessário. Gostando ou não de bichos, que saibamos respeitar. Que não maltratemos nem abandonemos como se fosse brinquedo velho. E que se decidirmos ter um bichinho, que saibamos cuidar e amar do mesmo jeito que eles fazem com a gente ─ para sempre.

No lugar da música, vou compartilhar os dois vídeos que me inspiraram. Assistam e depois me contem se esses bichinhos não são mais gente do que muita gente.

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From → Proseando

2 Comentários
  1. Realmente eles fazem a diferença em nossas vidas, eu tbm, qd perdi meu cachorro há uns 4 anos atrás não queria mais nenhum bichinho, mas aí chegou o Garfield na casa do meu irmão lá em São Pedro da Serra, que ele acabou me dando isso tem uns 2 anos já, e ano passado adotei a Nikita, minha outra gatinha. Hoje em dia não me vejo sem eles, é a minha alegria.

  2. Bel permalink

    haaaaaaaaaaaaa zeilaaaaaaaa…..vc eh fod………… começei a ler o post e meus olhos encheram de lagrimas, ai quando vi o primeiro video, terminei de borrar meu rimel! rsrsrs Parabens pela sensibilidade com nossos anjos…. aqui em casa; bem voce sabe; temos a Baleia, a pintcher pretinha, o nome dela é devido a Vidas Secas…. Falar de bichos e não se emocionar nao tem jeito! A mãe já esta no terceiro filhotinho de sabia que caem dos ninhos e não conseguem voltar… ela esta alimentando com minhoca e maça raspadinha na colher…. ai quando ficam grandinhas a mãe solta, mas quem disse que vão embora? hj tinha 3 na janela da cozinha gritando, pedindo comida…. é mole??? rsrsrsr é a coisa mais gostosa do mundooo

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