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A menina que amava livros

3 de janeiro de 2013

Desde que me conheço por gente, fui apaixonada por palavras. Sempre me dei melhor com letras do que com os números. Entre o Word e o Excel, vou sempre preferir o primeiro. Desde menina, lia tudo o que pudesse. Minha mãe definia isso como “viver com o nariz enfiado nos livros”. Penso que essa paixão é hereditária, pois minha avó paterna (babcia Vitória) sempre gostou muito de ler. O dinheiro era curto e os livros, raros, mas ela lia tudo o que lhe caísse nas mãos — isso incluía bulas de remédio, a Bíblia e outros livros religiosos e, o que eu achava mais bacana, as folhas de jornal que embrulhavam as compras feitas no armazém.

 Incrível como algumas páginas podem conter um mundo. Ou vários. Lendo, a gente viaja, ri, chora, se apaixona, aprende, se inspira. Geralmente torce pelo mocinho, mas muitas vezes sucumbe ao charme do vilão. Vamos combinar que, às vezes, o lobo (ou vampiro, elfo ou sei lá o que) é bem mais interessante do que o príncipe (suspiros). 

A menina que amava livros cresceu e se transformou na mulher que ama e compra livros. Muitos livros. Quem me conhece sabe que uma livraria me atrai mais do que uma loja de sapatos (nada contra esses lindos, muito pelo contrário), e que é difícil sair sem comprar unzinho pelo menos. Gosto de ter alguns livros “esperando” enquanto termino de ler o atual — Deus me livre de uma crise de abstinência. Cada um tem seus vícios, esse é um dos meus.

 Leio muito, e costumo ler rápido. Quando gosto do livro, costumo devorá-lo. Quando acaba, se é a história é boa, sofro de depressão pós-livro. Já li tanta coisa que perdi a conta. Amava as reinações escritas pelo Monteiro Lobato. No colégio, curtia os livros da Coleção Vaga-Lume (o primeiro foi “O Mistério do Cinco Estrelas”, do Marcos Rey). Também lia muito os romances das séries Sabrina, Júlia e Bianca, que eram os chick-lits da época e eu trocava na banca de jornal e adorava. Li Agatha Cristie, Paulo Coelho, Machado de Assis, José de Alencar e tantos outros — gosto da mistura e tenho zero de preconceito contra qualquer estilo. Se não gosto, não leio de novo e pronto. Mas respeito.

 Depois de ler tanta coisa, acho que há diferentes categorias de livros. Todos são iguarias, mas cada um tem o seu momento. Tem aqueles que são banquetes elaborados, que precisam ser degustados com calma e com os “talheres” certos — os livros do Saramago se encaixam nessa categoria. Fácil, não é, mas vale cada mordida. Tem também livro fast food, daqueles gostosos e descompromissados — não dá para viver só disso, mas de vez em quando não faz mal. Aqui, encaixo quase todos os chick lits (livros de “mulherzinha”) de que tanto gosto. Devo confessar que gosto tanto desse tipo de livro quanto de fast food, o que não é pouco, mas isso é tema para outro post.

 Tem livros que a gente lê uma vez e gosta tanto que vai querer repetir, só para sentir o gostinho de novo. Para mim, são exemplos: “O Senhor dos Anéis”, “Comer, Rezar, Amar”, “Do Amor e Outros Demônios” e todos da série “Shopaholic” (diria que esses seriam algo como o meu hambúrguer favorito).

 Tem aqueles livros que a gente experimenta, vale a experiência, mas não que repetir. Leu, tá lido. E têm aqueles que, assim como uma caixa de bombom, devem ser saboreados aos bocados, para adoçar a vida. Esses eu deixo na cabeceira: “Clarice na Cabeceira” (coletânea da Clarice Lispector), “Doze Contos Peregrinos” (Gabriel Garcia Márquez), “Cartas de Amor de Homens Notáveis” (Úrsula Doyle) e “Livro de Receitas para Mulheres Tristes” (Hector Abad).

 Para fechar esse texto, vou emprestar um trecho do conto “Felicidade Clandestina”, da Clarice Lispector, que definiu de forma perfeita como me sinto em relação aos livros: “não era mais uma menina com um livro, era uma mulher com seu amante”.  

A trilha sonora foi uma escolha difícil. Pensei, pensei e escolhi o tema do filme “Amélie Poulain”, porque tanto o filme quanto a música me deixam instantaneamente feliz — voilà, do mesmo jeitinho que os  livros.   

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From → Proseando

3 Comentários
  1. Michelle permalink

    Amei este post… Só não sei como você consegue fazer doações dos seus livros, eu ainda não criei coragem para desapegar:) Bjos

    • Eu preciso abrir espaço para os novos, Mi. Mas não consigo desapegar de todos, não. Tem alguns que seguem comigo. 😉
      Bjs

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  1. Shopaholic | 365 páginas em branco

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